As disciplinas de português e de matemática estão no topo dos debates quando se fala de ensino, exames, insucesso e sucesso. Ao longo dos anos, com o propósito de melhorar resultados, os governos implementaram algumas mudanças no ensino destas áreas e, então, aumentaram as cargas horárias, alteraram conteúdos, brincaram com as competências, com os objetivos, com metas de aprendizagem e agora chegaram às metas curriculares. Apesar destas renovações, os resultados nos exames e o desempenho dos alunos no português e na matemática permanecem num nível medíocre. Continuam a demonstrar dificuldades na leitura, na escrita, na interpretação, no raciocínio e estes problemas refletem-se em todas as áreas. Defendo uma mudança estrutural no ensino destas duas disciplinas. Em primeiro lugar, reduzir alguns conteúdos, em segundo, o português e a matemática devem passar para a lista das disciplinas experimentais, onde os alunos passam por tempos letivos com aulas de formação prática. Já no 5.º ano, haveria um tempo desdobrado no português e na matemática, isto é, metade da turma teria português e a outra metade matemática. Neste tempo de alternância, os alunos, com regularidade, deveriam apenas praticar a leitura, a escrita e os exercícios de matemática. Esta estratégia deveria continuar nos restantes níveis de ensino, não necessariamente em todos os anos. Por último, considero que os alunos chegam demasiado novos ao 2.º ciclo, com 9 e 10 anos. Deparam-se com uma escola de enorme dimensão, com muitos alunos, professores, disciplinas, por isso, para adquirir mais maturidade e solidificar as bases, deveriam permanecer mais um ano no 1.º ciclo. Cria-se um ano zero, ou uma outra nomenclatura, neste ano zero já teriam oralidade, escrita, gramática e muita prática, mas os conteúdos deveriam ser redistribuídos.
Rui Caetano, Professor