Entre Janeiro e Setembro de 2012, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) recebeu 472 mil euros provenientes de taxas resultantes da produção de filmes publicitários. A estes valores devem somar-se o retorno da promoção da cidade através das imagens transmitidas globalmente, bem como os efeitos, na economia local, da presença de equipas de filmagens que durante dias dormem, comem e divertem-se na capital. Este ano, entraram mensalmente, nos cofres da CML, 52,4 mil euros, mais 450% do que no período homologo de 2011. Reportando-nos aos efeitos económicos da presença das equipas, temos números impressionantes. Durante o período de filmagens para um anúncio da Mercedes foram gastos 400 mil euros. O que até não é nada quando comparado com os 4,4 milhões de euros que a produção da longa-metragem "O Comboio Noturno para Lisboa", com Jeremy Irons, que estreia no próximo ano, deixou na capital portuguesa. Mais dois dados interessantes: a referida produção mobilizou 70 técnicos e custou, à CML, 100 mil euros em apoios diversos. Lendo estes números, a autarquia decidiu reforçar o apoio à Lisboa Film Commission, criando ainda o Balcão Iniciativa Lisboa, substituindo todas as taxas e licenças por um ato único e garantindo respostas em três dias úteis. Voando para a Madeira, percebemos que o arquipélago tem condições muito simpáticas para filmagens - diversidade de paisagens, facilidade nas ligações, proximidade com continente europeu, património construído com algum interesse, clima ameno - e assim sendo, a atração de equipas internacionais para filmarem nestas ilhas pode ser um veículo de angariação de receitas e de promoção muito mais interessante do que, por exemplo, o futebol. Há que perceber que nesta, como em outras áreas, a Cultura pode ser um excelente negócio.

Gonçalo Santos