Em tudo o que fazemos na vida não basta parecer, é preciso ser. Os que fomos eleitos pelo povo, cabe-nos a honrosa responsabilidade da apresentação de propostas legislativas, não nos podendo demitir desse compromisso para com os eleitores, abandonando os deveres do legislador, para nos solidarizarmos com aqueles que fazem uso do direito à greve! Nenhum deputado na Assembleia da República, nem mesmo os do PCP, que são os fiéis doutrinários da entidade que convocou a greve, a CGTP, fizeram uso dessa expressão "solidariedade para com os que aderiram à greve" abandonando os trabalhos parlamentares! A responsabilidade de um deputado é zelar para que, através de legislação efectiva, as populações possam melhorar as suas condições de vida, por um lado, e, contribuir para tornar mais transparente a actividade dos detentores de cargos públicos, por outro. Ora na ordem do dia desta quarta-feira, havia dois projectos de DLR do CDS/PP que visavam discutir, na sua substância, matérias relacionadas com o Estatuto de Oposição e as Subvenções aos partidos políticos. O partido da maioria possibilitou que o debate se concretizasse, e foram dirimidos os múltiplos argumentos dos partidos que ali se encontravam e foi pena, não termos assistido à presença dos demais partidos da oposição, na discussão destas propostas. Os eleitores ficaram sem saber se esses partidos, nomeadamente o PS, são a favor de um corte de 30% no famigerado Jackpot, ou, ao invés, preferem manter tudo como está, tal como fez o PSD? Defendem, porventura, uma transparência efectiva ou preferem aquela do faz de conta?

Lopes da Fonseca, Líder parlamentar do CDS-M