A. A. Hoje venho falar do Mercado dos Lavradores; visto que lá passei muito tempo da minha infância, conheço este estabelecimento como a palma da minha mão, assim como conheço os seus problemas. No rés do chão, os quartos de banho sempre foram sujos, com algumas possas de algum liquido (que sinceramente não me interessa saber qual), muita falta de papel e muito pequena, visto que só tem lugar para uma única pessoa. No primeiro andar, há alguns anos atrás haviam apenas duas sanitas (para as mulheres), foram feitas obras e agora estão disponíveis cerca de seis sanitas básicas, e uma para pessoas com deficiências físicas; até aqui parece estar tudo muito bem, até ao momento em que as empregadas de limpeza fazem as suas para não terem tanto trabalho a limpar e terem mais tempo para conversar; estas fecham alguns quartos de banho, geralmente dois ou três, e quando são interrogadas pela razão a resposta é sempre a mesma: "os autoclismos estão avariados", o mais interessante é que no turno seguinte o problema dos autoclismos passa para outras sanitas. Isto tem impactos, as filas de pessoas em espera para ir ao quarto de banho, muitas das vezes chegam à porta, quando não ultrapassa. Mais uma alcatroa é que estas deixam lixívia em pequenas possas no lava mãos, que como é transparente passa por água, que deixou-me a pele muito seca e manchou-me uma t-shirt; deixam também lixívia nos tampos das sanitas que, com algum descuido pode vir a criar infecções, se não casos mais graves para algumas mulheres. Tudo isto é mau, mas o caso mais inaceitável no meio de toda esta aldrabice que é o Mercado dos Lavradores, é que com um quarto de banho apropriado para pessoas com deficiência, esta esteja trancada à chave, e como por vezes não estão presentes as empregadas de limpeza nem o segurança, as pessoas são obrigadas a usar aquelas casas de banho inapropriadas para as suas condições físicas, na verdade foi-me presenteado, um marido de uma senhora incapacitada, que como não havia chave para esta mesma ir à sua casa de banho, viu-se obrigado a ajudar a sua esposa a fazer as necessidades no quarto de banho básico. Ultimo problema que irei testemunhar nesta carta, é que uma vez que estão a limpar os quartos de banho femininos, estas metem uma esfregona na porta a impossibilitar a entrada, o que obriga as mulheres a irem para o quarto de banho masculino. (...)