Parece que este governo não se importa de estar a criar um povo que, mais dia, menos dia, não terá nada a perder e em vez de se meter em manifestações pacíficas vai começar a partir tudo de cima a baixo. Quando não restar nem um pingo de dignidade onde alguém se possa agarrar, é que vão ser elas. Nada vai escapar e é pena, porque é um erro desatar a queimar carros e pilhar lojas quando esses bens são de cidadãos que também são afetados pelas austeridades loucas do país. O povo quando se revolta deveria atirar-se ao património daqueles que o defraudaram e roubaram, os políticos e os corruptos que pululam nos jet sets, a corja que acabou com a classe média e transforma, mais depressa do que se pensa, Portugal num país miserável. A Grécia só tem capacidade para gerir o país por mais uma semana e mendiga mais um cheque à troika. Portugal carrega nos impostos e vai perpetuando o sacrifício e aflição de milhões que nenhuma culpa tiveram da gestão danosa dos que se governaram durante tantos anos. Não se percebe como é que os sabichões do Gaspar e Coelho passaram mais de um ano no governo e agora precisam da ajuda externa para conseguir cortar no lado da despesa. Engraçado como começam pela tal refundação do estado, pelas prestações sociais, pela educação e saúde. Não cortam no que gastam com as mordomias de um estado que tem homens podres e que precisam de meia dúzia de motoristas para terem todos uma "bomba" que os leve, um em cada "bomba", aos salamaleques diários. A começar pelo que gastam com Assembleias de deputados que nem metade deveriam ter e agravado pelo facto de terem bares e cantinas mais baratos do que nas escolas públicas, gentinha que até troca direitos de viagens por férias em família nos lugares mais exóticos e "no pasa nada". Como é que alguém acredita num político que promete tudo e não faz nada nem parecido, um político que todos os dias aumenta impostos e retira direitos ao povo trabalhador, ao mesmo tempo que acumula ordenados e reformas, paga prazeres e lazeres com cartões de crédito de dinheiro público? É incompreensível como o próprio executivo admite situações vergonhosas nas empresas públicas e com estatuto público, mesmo que se saiba de antemão que teria a tentação de colocar os seus boys em condições privilegiadas. Só mesmo com a carneirada que temos como eleitores é que vão mantendo gente condenada e sem escrúpulos em poleiros e lambuzando o tacho. São carneiros que podem um dia vestir uma pele mais arrojada e fazer valer a sua força como povo, não aceitando que lhes paguem quaisquer quotas para poderem exercer um qualquer direito de escolha. E um dia vão dizer que não aceitam que lhes tirem o subsídio de Natal enquanto há políticos que acumulam reforma e ordenado e ainda gozam desse povo. E vão ficar fartos de verem as suas casas arrastadas pela água da ribeira porque não tiveram dinheiro nem direito de construir nas zonas seguras. Mas não é chorando perdas que vão conseguir mudar a sua vida. Ignorem os cardeais que não gostam de manifestações e façam ouvir as vossas reivindicações. Não passem ao lado da história porque arriscam-se a não fazer parte dela. Não é preciso ser herói, nem vivo nem morto. Basta participar e não calar, pois perde mais pelo medo do que pela coragem.
Paulo Gomes