Portugal é um país atualmente contestado e satirizado pela sua "gordura" embora, ironicamente, nunca andássemos mais desnudados! Desde o alvoroço no BPN, à multiplicação de consultores e assessores, institutos e organismos, às benesses das fundações, às reformas douradas, às prestações sociais e rendimentos de inserção social por atribuição duvidosa, aos subsídios culturais e por aí a fora. Os escândalos dos últimos tempos não dissolvem o problema central. Tendo em conta os sacrifícios que nos andam a exigir, é indispensável que se crie um clima de justiça, através do combate à fraude, ao roubo, ao crime, mais não seja para minorar os gastos. Porém, os cortes são quase sempre sinónimo de despedimentos e muita gente que exige os primeiros, depressa se levanta em protesto pelos segundos. Grave mesmo é o corte nas pensões para os que nada têm, infeliz medida deste governo de direita que entende ainda cortar subsídios como o de desemprego e os donativos para as instituições que socorrem aos mais pobres. Entre conversas, muitas delas fiadas, ao compasso de cada interveniente, encaramos um país sem respostas, onde os economistas nos invadem a casa com réplicas de estratégias, num discurso quase ensaiado, fruto de competências académicas adquiridas e que o comodismo não deixa abandonar. Procuram-se economistas com propostas criativas e pensamento divergente!
Patricia Spínola, Colaboradora AAUMa