Luís Guilherme Ferreira No principio dos anos quarenta, do século passado, existiu um campo de futebol onde é agora o cemitério de Nossa Senhora da Piedade em São Gonçalo e a sua duração mediou entre a compra do terreno e o começo das obras do referido cemitério. Nesse campo realizaram-se torneios de futebol que preenchiam o dia todo dos domingos. Ali jogavam diversos grupos, tais como: Primeiro de Maio, Bica de Pau, Lazareto, Águia Branca, Sereno, Juventude, Meia Altura, etc… Vinham jogadores do Marítimo, Nacional e União para reforçar estas equipas. No principio eram duas pedras que delimitavam as balizas e quando a bola passava por cima de uma dessas pedras, gerava-se tamanha confusão e do futebol passava-se de imediato à luta livre e muitas das vezes o árbitro quase que era obrigado a fazer parte dessa mesma luta livre. No ano de 1943, quando andava na quarta classe, o meu professor a partir de fevereiro obrigava os alunos a irem a escola aos domingos para fazerem uma prova de preparação para o exame. Num belo domingo quando a prova já ia a meio chega um meu colega e o meu professor, "meiguinho" como era com um pequeno sorriso traiçoeiro perguntou: Ó meu querido menino qual a razão de chegar tarde. De pronto o meu colega respondeu que se tinha distraído a ver um desafio de futebol no campo do cemitério. O professor com o mesmo sorriso traiçoeiro perguntou quem estava a jogar e qual o resultado. De imediato o aluno disse que era o Águia Branca e o Juventude e o resultado era 4-0. O professor pregou-lhe dois bolos em cada mão e o caso ficou resolvido. Pior para o aluno seria se o resultado fosse mais dilatado. Quando faltavam três semanas para o exame o professor compilava as provas, por aluno, e dava a cada um para levar a casa para o pai ver o trabalho feito e assinar. Na 2.ª feira quando peguei nas minhas provas verifiquei que faltava a assinatura do meu pai. Fiquei muito atrapalhado devido a "meiguice" do meu professor e pedi ao meu irmão dois anos mais velho do que eu e andava no secundário para assinar pelo meu pai. O meu irmão acedeu ao pedido e escreveu: Senhor Manuel Ferreira (nessa altura havia respeito). Quando entreguei as provas não me lembro qual o desfecho mas com certeza que não me foi nada favorável. E esta hein!