Segue uma apresentação sumária da lógica produtivista e trabalhista da sociedade de consumo. Premissa de base: É necessário fomentar o trabalho e o crescimento, logo temos todos de estar muito ocupados a produzir e a consumir. Aqui não importa que trabalho, nem tão-pouco há contemplações acerca do bem-estar da natureza ou das outras espécies com que co-habitamos o planeta. Nós somos os UIs, os Unicos Importantes. Há muito trabalho absolutamente inútil nesta sociedade, tivesse ela sido fundada em princípios sãos. Quando uma coisa se parte, podemos colá-la, ela parte-se outra vez, e outra, e vezes sem conta. A lógica trabalhista da sociedade de consumo é ver uma virtude neste processo: há trabalho! Quem se lembrar de mudar a coisa do sítio para esta deixar de partir, vai ser criticado por não proteger o trabalho. Nós poluímos as nossas águas, a virtude está em haver trabalho para muitos, estruturas públicas de purificação, caríssimos equipamentos caseiros de purificação. Nós deixamos de ter saúde por poluirmos os nossos alimentos, por nos privarmos de uma alimentação saudável, de exercício físico e mental, a virtude disto está em haver muito trabalho para médicos, farmaceuticos, nutricionistas, treinadores pessoais e outros. Nós poluímos o ar que respiramos, não há problema fabriquem-se muitas máscaras e em breve haverá também equipamentos purificadores de ar numa loja perto de si, ou então surgirão grandes purificadores estatais a serem pagos com os nossos impostos. O que importa é que haja trabalho e para muitos! A lógica trabalhista defendida, quer pela direita, quer pela esquerda é uma falácia, uma subserviência a um modelo de desenvolvimento em rápida decadência. É pena que o antídoto para esta crise de valores; a ética e o bom-senso não possa ser explorado em larga escala e vendido a preço de saldo, ui, isso seria o fim do negócio da desgraça!

Rui Almeida, Líder do PAN-Madeira