Felizmente hoje existe liberdade de expressão (será?). Não é assim de estranhar que, nas redes sociais, nos meios de comunicação social, em privado ou em público, muitos desatem a opinar sobre tudo e mais alguma coisa. Até pode ser um excelente exercício de cidadania e desenvolvimento pessoal. Contudo, sabemos que será pedir muito que apenas o façam quando tiverem refletido um pouco, tiverem alguns conhecimentos e competências sobre os assuntos em que emitam opinião, pois infelizmente isso dificilmente acontecerá. Como a "ignorância é atrevida", mais uma vez não é de estranhar que muitos destes "fazedores de opinião" tenham dificuldade em opinar sobre a sua área de competência (académica, profissional, etc.), expondo-se assim à salutar crítica dos seus pares e prefiram opinar sobre outras áreas, por exemplo o Desporto e a Educação. Nada de mais, até porque defendemos que a divisão cartesiana de áreas científicas policiada corporativamente não se justifica e até é contraproducente, pois hoje o que se exige é a inter e a transdisciplinaridade. Agora, esses mesmos "fazedores de opinião" não se podem sentir como "virgens ofendidas" se alguém do Desporto ou da Educação também opinar sobre a Saúde, a Justiça, a Economia, a Comunicação Social, etc. Aliás, pode ser muito benéfico que existam diferentes olhares e visões, nomeadamente de quem não está diretamente implicado na gestão dos processos (ou seja, de quem não é da área) e se assuma essencialmente como consumidor. É por isso que o fundamental não é discutir e tentar limitar quem deve ou não opinar sobre determinados temas e áreas (não podem existir vacas sagradas em que só alguns iluminados podem opinar), todos devem ser bem-vindos à discussão. O que é necessário é que o processo pedagógico (na escola e no clube) desenvolva, entre outras competências, o espírito crítico, para que quem emita opinião pense duas vezes antes de o fazer e quem leia ou ouça essas opiniões seja capaz de lhes dar o valor e credibilidade que eventualmente mereçam. Talvez dessa forma fiquemos todos um pouco mais protegidos da Insolência dos Ignorantes.

Helder Lopes, Professor Universitário