Como prometido, e uma vez que a Madeira veio de mãos a abanar dos 'World Travel Awards', a exemplo do que já havia acontecido recentemente nos 'Portugal Travel Awards', passou-me pela cabeça dar de bom grado uma espécie de 'Óscares de Turismo' a quem na Região faz muito por esta indústria ou sector, independentemente dos prémios que possa conquistar.

As distinções podem não ter o valor das estatuetas mediáticas dadas sábado passado na gala algarvia, mas são sinceras e igualmente generosas, pois se há universo que deve merecer a nossa gratidão colectiva é este que na ultraperiferia gera emprego, sucesso e universalidade.

Permitam-me que não personalize, pois a estas distinções não houve candidaturas. Por isso, com toda a franqueza e sem ironia, quero premiar todas e todos quantos:

- manifestam competência e disponibilidade total para servir os interesses supremos de uma Região carente de procura e têm estratégias inequívocas para manter a atractividade da oferta, assim como o engenho para manter e captar mercados e rotas, ou a arte necessária para gerar parcerias que enriquecem o destino.

- investem e criam oportunidades, emprego e sustentabilidade, inovando e internacionalizando marcas, conceitos e recursos.

- pensam as especificidades do sector, promovem o debate e estudam cientificamente causas e efeitos, antecipando cenários e consequências, embora, porque por alguns ignorados, não tenham evitado espanto, permissividade, distração, incapacidade na acção e na reacção que tanto penaliza a madeira.

- não têm inveja dos empreendedores, dos fazedores de emoções e dos vendedores de sonhos e nutrem elevada estima por quem tem iniciativa, faz e deixa acontecer.

- promovem a Região sem cobrar deslocações, ajudas de custo ou despesas de representação, nem recorrem a expedientes eticamente reprováveis, que vão desde a balda laboral, às ausências inexplicáveis e às cunhas deploráveis.

- escrevem o que pensam, sem querer agradar a chefes ou a claques, antes contribuir para a afirmação do destino, dos seus serviços e das suas potencialidades.

- percorrem estradas, levadas e ribeiras, mostrando o que resta da natureza que nos orgulha e não apenas o quintal de estimação.

- não vacilam perante as adversidades, nem fogem às responsabilidades, mesmo que tenham sido traídos por palavras sem honra de gente que deve e não paga.

- pagam o justo preço e não o esmagam perante a primeira ameaça externa.

- não procuram afastar do palco das decisões quem tem mérito.

- trabalham com profissionalismo, não para agradar o patrão, mas por sentirem que o contributo para a satisfação de hóspedes e clientes pode não ter limites.

- nos sindicatos ou comissões de trabalhadores, nas associações de classe e outras estruturas representativas lutam por direitos com a mesma convicção com que cumprem deveres.

- fiscalizam atentamente as atitudes dos que lesam o sector, calendarizam eventos com critério e têm a humildade suficiente para mudar de vida, uma vez provada a incapacidade para garantir serviços mínimos na grandiosa obra de que dependem milhares de bocas.

Mais haveria para dar. Quem sabe esperança! Dias melhores! Sorte! Ou antes, determinação, ousadia e paixão pelo risco.

Uma Região portadora de turismo de qualidade, embora a perder clientela e rendimentos, notoriedade e margem negocial, que tem maravilhas nem sempre preservadas da melhor forma e recursos extremamente dedicados, merece bem mais do que prémios de consolação.