Depois de instalado o vector, temos agora, e infelizmente, a doença. Só que, para que tudo fique claro, o mosquito e o dengue que este transmite têm, no caso específico da Madeira, o seu vector, que, apesar das acrobacias ridículas dos últimos dias e das explicações mais ou menos atabalhoadas, não fica imune às culpas pelos seus actos e sobretudo pelas suas omissões.

Neste caso, como em muitos outros, o Governo Regional errou e, pior do que isso, persiste no erro. Aos quase quatro anos de inexistente combate ao mosquito, com base em estudos de conclusões exclusivas e inéditas, o executivo quer passar a responsabilidade que é sua para o povo, ao qual aconselha a não se deixar picar, a não sair de casa ao amanhecer e ao anoitecer e a outras medidas mais ou menos risivéis, nomeadamente porque o mosquito anda à solta e sem qualquer combate eficaz. O secretário dos Assuntos Sociais chegou mesmo ao ponto de afirmar que as pessoas são as primeiras responsáveis pela sua saúde. E são, realmente. Mas esta não é uma questão de saúde particular, é uma questão de saúde pública e este conceito faz toda a diferneça.

O problema não pode ser resolvido por quem não o gerou e, pela sua gravidade, exige uma resposta imediata de quem nos governa. Caso contrário, em vez de um problema temos dois: o mosquito e o Governo e fica a dúvida sobre qual dos dois vectores é mais letal.

Pródigo e quase profissional na estratégia de nunca ter culpa de nada, o Governo não pode esconder o erro que cometeu, mas pode recuar nas omissões e actuar como lhe é exigido.

Se a maioria dos casos diagnosticados tem como origem o foco de Santa Luzia, porque razão ainda não se fez uma desinsectização de emergência para tentar diminuir a população do mosquitos, em vez de se optar por, arrogantemente, esconder os números, com aquele ar de enfado de quem preferia não ter de dar explicações?

O povo até pode achar piada a ter um Rei Zulu no Carnaval, mas não precisamos de levar tão longe esta predisposição natural para o terceiro mundismo.