Quando já todos pensavam que a classe política não fazia ideia das dificuldades que os portugueses estão a atravessar eis que, num acto de pleno simbolismo, o presidente da república hasteia a bandeira ao contrário. Não se sabe ao certo se a intenção foi fazer uma alusão ao facto dos portugueses serem obrigados a "fazer o pino" todos os meses para conseguirem pagar as contas ou se, por outro lado, a intenção era demonstrar que não é justo o povo andar a pagar para cobrir um buraco que outros escavaram. Para ambas as situações a ilustração do presidente assenta como uma luva. O simbolismo desse momento também poderá ser entendido como uma ilustração da situação económica actual. De facto, não há memória de que a economia de um país alguma vez fosse revitalizada por intermédio de cortes sucessivos nos rendimentos das famílias e empresas. A diminuição de rendimento apenas servirá para diminuir as transacções comerciais gerando a falência de empresas, mais desemprego, e consequentemente, menos receitas para o estado. Içar o maior símbolo nacional ao contrário também poderá ter sido uma mensagem dirigida aos jovens que querem começar a sua vida profissional e não vêem outra alternativa que não seja emigrar. Ou ainda a aqueles que trabalharam toda uma vida para agora receberem uma reformar que nem é suficiente para pagar as contas da farmácia. A mensagem do presidente pode ter várias interpretações, mas no geral temos de concordar com ele. Isto anda tudo ao contrário!
Pedro Nunes, Economista