A adversidade sempre foi um factor de motivação. Pela personalidade, pela educação ou talvez mesmo pelo signo dizem outros, as situações com obstáculos têm sido o tónico fundamental para enfrenta-las com determinação e empenho. Os projetos e as situações com desafios, a par dos contratempos são estímulos ou mesmo condimentos necessários para as pequenas e grandes epopeias. No meu percurso de vida, muitas foram as situações em que as convições se confundiram com a teimosia, em que os objectivos diluíram nas etapas, e quantas vezes as estratégias não tiveram a maleabilidade que os diferentes contextos recomendavam. Na verdade, dificilmente abdiquei dos princípios, e preferi sempre me calar a não ser solidário com as instituições onde exerci a minha atividade profissional. Manda a verdade acrescentar que algumas vezes preferi afastar-me, e ressalvar, que pelo menos uma vez, pedi a demissão porque julguei que as decisões institucionais feriam os meus princípios éticos e profissionais. Em diversas conjunturas, uma ideia pareceu sempre dominante, de que promover o diálogo era fundamentalmente um sinal de fraqueza mesmo de ignorância. Convivi com esta filosofia umas vezes bem outras nem por isso. A par deste estigma o trabalho de grupo, e as decisões colegiais nunca foram incentivadas pela sociedade, pelo que a cultura da partilha de conhecimentos foi razoavelmente posta de parte. Uma das minhas modalidades preferidas, e aquela que dediquei parte da minha vida está de gestão e prática difíceis. Neste clima de adversidade, é necessário conciliar dialogando, implementar estratégias adequadas e definir prioridades por forma a garantir os menores prejuízos possíveis. Não deverá ser necessário uma rotura trágica para garantir posições de manifesta fragilidade. Na verdade será necessário mesmo ponderar sem demoras que novos paradigmas que chegaram ao desporto regional, e particularmente ao futebol. Tenho fé, e acredito que os atuais dirigentes, os mesmos que construíram o edifício desportivo no passado, negando mesmo as insinuações de que podem não ser competentes para o futuro, mas tenho a certeza que não querem destruir o nosso desporto. Tenho que crer, que ninguém deve de duvidar dos dirigentes atuais, nem confrontá-los dos seus méritos, mas entender que não será por decreto, portarias ou regulamentos que os objetivos e a prática desportiva se alterarão para a mudança que se impõe ao desporto regional. Dialogando, com frontalidade e proceder às mudanças inevitáveis e necessárias implementando-as em cooperação dos vários interesses serão premissas necessárias para a reformulação do edifício desportivo.
Rui Mâncio Caires, Director Técnico da AFM