
'36 anos, 45 vitórias', a placa do Chão da Lagoa, que mudou do espaço público para a herdade da fundação, vai marcando, ano após ano, os títulos eleitorais do líder que ocupa o cargo desde 1976. Um palmarés único que deveria ser sinónimo de experiência e convívio fácil com um processo democrático que lhe tem garantido a permanência ininterrupta no poder. Mas parece que não serviu para muito.
Depois de 45 batalhas eleitorais ganhas - descontou, sempre, as 'Presidenciais' em que os seus candidatos perderam - é quase caricato, mas verdadeiro, concluir que Alberto João Jardim enfrenta, a 2 de Novembro, as eleições mais complicadas da sua carreira. Aquelas de que parece ter mais receio. Por ironia do destino, trata-se de um confronto interno do PSD-M, uma disputa doméstica que deveria ser normal e sem grandes motivos de nervosismo. É precisamente o contrário.
A violência das acusações contra o seu adversário, atingiram um nível que nem os lideres dos outros partidos justificaram. Albuquerque passou a 'inimigo número um' e nem o facto de também ter um cartão 'laranja' diminui a intensidade do discurso. Ao ponto de que quem foi o candidato natural do partido, para o Funchal, ao longo de 15 anos, passar a ser o pior presidente da câmara de sempre...
Só a imaturidade democrática de quem nunca se viu confrontado com uma corrida à liderança com mais do que um candidato, poderá justificar o pânico que parece ter atingido a máquina social-democrata. Também ao ponto de, numas eleições internas, se utilizarem as 'jogadas' de que sempre se queixaram os partidos da oposição.
Nas 'regionais', Jardim usa o Governo para a campanha, nas eleições internas, toda a máquina do partido, os jornais oficiais e a página na internet estão ao serviço de uma candidatura. Se qualquer pudor.
Esta é uma questão interna do PSD-M, que só aos militantes diz respeito e, se as eleições forem transparentes, quem ganhar terá toda a legitimidade para fazer valer a sua estratégia partidária. Mas uma cosia é certa: depois de 2 de Novembro, o partido não será o mesmo. Com ou sem expulsões dos derrotados.