José Vieira Domingo, dia 21/10/2012, o DN publicou na sua "Revista mais", um artigo sobre o assédio que os turistas "sofrem" com os "taxistas" e outros mais. Sou presentemente "taxista", no entanto, trabalhei largos anos em navios de cruzeiros, e posso dizer que, por exemplo, em Mombasa, no Quénia, andamos de táxi (a cair de podre), por alguns sabonetes ou toalhas. Em Manila, nas Filipinas, cada "taxista" faz o seu próprio táxi de peças da sucata. Em Madras, na Índia, os "taxistas" param estrategicamente perto dos pedintes com as janelas abertas. Em Agadir, Marrocos, somos quase que "carregados" ao colo para dentro dos táxis, no Norte da Europa e América, os "taxistas" nem nos ligam. Cada terra tem aquilo que a necessidade obriga, e tirando os complexos provincianos de alguns e preconceitos de outros, não vem outro mal ao mundo. Vocês, DN, fizeram um trabalho isento e profissional, mas infelizmente uma vez mais de forma parcial. Todavia, não tão mau como alguns alarmistas que foram para o aeroporto fazer perguntas que eventualmente serão mais nefastas do que o próprio "Dengue". Escrever só sobre as aparências e não procurar saber a causa das nossas dificuldades e desespero, é o mesmo que escrever sobre prostituição e não falar dos chulos. Começando pelas receções dos hotéis a quem nós temos que pagar para trabalhar, e serão talvez os primeiros a dizer mal de nós, passando pelo gasóleo que está caríssimo para uma indústria que depende enormemente dele e que vê os seus concorrentes mais diretos a beneficiar de gasóleo mais barato ou subsidiado, e não esquecendo obviamente de todas as Secretarias, Direções Regionais, Institutos e outros, que aproveitam de tudo e mais alguma coisa para nos "chupar" até ao osso. Por tudo isto, peço-vos, DN, em nome de uma classe profissional que é enteada de muitos e filha de ninguém, que em vez de fazer jornalismo avulso, embora isento, que comecem a tratar estes temas com a importância que merecem, com pés, cabeça, profundidade, de forma isenta e completa. Meus amigos! Coveiros preconceituosos e paternalistas já temos muitos. Estamos sob a tutela de uma Secretaria que não sabe nem quer saber, chegando até a desdenhar das nossas dificuldades e do nosso papel e importância no setor do turismo. Já agora, gostava de perguntar à Sra. Secretária, lá na "ilha das maravilhas", setenta por cento de ocupação hoteleira é quantos turistas? ½ dúzia? Uma dúzia…?! Trabalhem e deixem trabalhar.