O poder político é definido por Russell como um "conjunto de meios que permitem alcançar os efeitos desejados". Hoje, o poder político está desacreditado e descredibilizado, porque os tais meios de que Russell fala não atingem os efeitos desejados na população. Enquanto político confesso que, por vezes, sinto algum incómodo com a forma como os políticos são criticados, preconceito generalizado e não particularizado. Numa sociedade cada vez mais (in) formada, aquilo que se espera é que exista uma distinção entre os que utilizam a política ao Serviço dos Cidadãos e os que a utilizam ao seu serviço. Existe uma tendência para a generalização do conceito de classe política quando, verdade seja dita, em tudo existe o bom e existe o mau. Existem bons pedreiros e maus pedreiros, existem bons e maus professores, e também existem bons políticos e maus políticos. Assumir que um mau exemplo de gestão de cargos políticos vale por todos os demais que tentam trabalhar em prol da população, servindo a causa pública, não é muito correcto. Por outro lado, estou consciente de que, enquanto houver políticos de ocasião possuídos pelo populismo fácil, que se aproveitam das fragilidades dos cidadãos, pela pobreza, pela fome, e utilizam essas mesmas fragilidades para, de forma obcecada, engrossar as fileiras de militantes como aparentemente ocorreu na ilha de Porto Santo. Estou certo que a política e os políticos continuarão a ser vistos com desprezo e despeito pela população, enquanto a política praticada por alguns for subvertida em prol de interesses que não os do povo. Isso não é fazer política! Os partidos não são instituições de solidariedade, nem se devem substituir a essas instituições. Distribuir cabazes com comida, não resolve o problema da fome na Região. Distribuir panfletos sobre o consumo de drogas e depois não apresentar medidas para proibir esse consumo, nada resolve. Os políticos devem fazer política, usar os meios ao seu dispor para criar legislação, apresentar medidas de criação de emprego, combate ao desemprego. Essas, sim, podem resolver o problema da pobreza e da fome na nossa Região.

Orlando Fernandes, Líder da JS-Madeira