Há mais que retórica e um som monocórdio no discurso do ministro das finanças. O mentor e criador da tragédia que é o Orçamento de Estado para 2013 parece acreditar estar investido de uma missão que o eleva acima dos comuns mortais e o torna uma espécie de messias financeiro.

É claro que cá por baixo, ao nível da vida real que existe fora dos gráficos e do ‘PowerPoint’ de Gaspar, o povo diz que não quer ser salvo assim, que dispensa o diagnóstico e a cura, que prefere morrer de morte natural, com tempo, sem pressas, sem cálculos ou previsões.

Mas Gaspar não ouve tudo o que não esteja naquele cumprimento de ‘Onda Média’ que é a freqüência pausada com que fala e apresenta as suas ideias e crenças. Porque, não tenhamos dúvidas, há mais crença do que realidade nas contas de um ministro que se prepara para empobrecer o país e para lançar a economia num novo ciclo recessivo, com a desculpa de que não há alternativa e de que ele, Gaspar, está certo e todos os outros errados.

E é assim, sempre embuído do seu sentido de missão pessoal, intransmissível e, sobretudo, incompreensível, que este ministro promete ficar, continuar, prevalecer no erro, mesmo que isso nos custe tudo, mesmo que isso seja a morte da economia geral e particular, a morte da esperança, a morte do país.

Afinal, ficamos agora a saber pela voz do próprio, ele está nisto porque quer retribuir ao país o que este gastou na sua cara educação. Se não fosse dramática a questão era risível e estou em crer que o povo português não se importa de pagar a educação do ministro Gaspar, de o livrar dessa dívida, de o libertar dessa suposta missão. Vá em paz, a sua dívida está saldada, e, se quiser, até pode continuar a estudar mais um pouco, a testar as suas teorias a um nível meramente académico. O país aguenta mais uns anos a sua cara educação, não aguenta é os resultados dela. Por isso, vá, a sua dívida está saldada. O melhor povo do mundo liberta-o da missão de o salvar.