Participei em Setembro no Encontro "Presente no Futuro - Os Portugueses em 2030", organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que teve lugar no Centro Cultural de Belém. Neste encontro mais de 1300 participantes refletiram sobre como será Portugal em 2030, o que pode parecer estranho num País que parece só estar preocupado com o dia de amanhã ou o orçamento do próximo ano. Neste horizonte 2030 parece estar muito distante, mas em termos demográficos está muito próximo, pois nesse ano as crianças nascidas hoje terão a idade para exercerem o seu direito de voto. Dos vários cenários demográficos projetados para o ano de 2030, o mais trágico é o que mostra que por essa altura seremos menos cerca de um milhão de portugueses do que éramos em 2011, um decréscimo de 10%, menos mais de 430 mil jovens até aos 14 anos, menos mais de 210 mil jovens adultos dos 15 aos 24 anos, menos mais de 760 mil adultos dos 25 aos 64 anos e mais 420 mil adultos com mais de 65 anos (idosos). Vamos passar de um rácio idoso/adulto dos 25 aos 64 anos de quase 3 para 2, e em 2050 este rácio será 1,5. Este trágico cenário baseia-se na hipótese da manutenção da taxa de fecundidade dos nossos dias, mas como é do conhecimento geral assistimos em Portugal a uma diminuição de fecundidade em virtude de uma complexa trama de fatores como o aumento de escolaridade das mulheres, a precaridade do emprego (contratos a prazo), a entrada mais tardia no mundo do trabalho (desemprego jovem), a incerteza sobre o futuro (garantia que existirá um apoio público às famílias), a dificuldade em se tornar independente dos pais e a não existência de um discurso oficial pró-família. Assim, na minha opinião, a situação vai ser muito mais gravosa, por isso é urgente que se tomem medidas que defendam a família e promovam o aumento de fecundidade pois sem jovens Portugal não tem futuro!
Pedro Telhado, Professor Catedrático da UMa