Não tenho poder, a minha voz é fraca e não tem a força de uma petição. Quero manifestar a minha oposição à venda da TAP, companhia aérea que transporta a imagem do meu País pelo mundo, ainda que muitos por arrogância e cinismo não o exteriorizem, e que representa em termos de desempenho um dos melhores activos que temos. O protesto é legítimo e sai de dentro, bem ponderados todos os quês, porque não estou contra a privatização, mas sim contra a venda de uma empresa com quem me identifico, como ilhéu e como cidadão desta nação enorme, de muitas bandeiras e de uma só língua. Não consigo digerir que a TAP seja vendida a alguém que saiu num funil, depois de espremidos 13 candidatos que não acharam interesse na privatização, sozinho e arrogante, que quer comprar parte da companhia aérea de Portugal, porque tem dinheiro para isso e pode ser interessante no seu portfólio de negócios. Naturalmente que nesta questão da TAP, que todos os governos portugueses, depois de 1974, não souberam gerir, apenas se servir, o debate nem sempre é racional. As opiniões são muito divergentes, porque quando se aborda o assunto, até há aqueles que estão contra a TAP, porque acham que a companhia deveria servir croquetes a bordo, e de borla, e outros que acham que viajar de avião deve ter o mesmo preço que uma viagem de autocarro Funchal-Porto Moniz. Aqui, ponto. Não tenho a mesma opinião e calo-me. Respeito os outros e num país democrático e miserável a asneira é livre e ainda não paga imposto. Estou contra a venda da TAP. Queria que fossem portugueses, ao menos europeus. Que a passagem se fizesse com dignidade, com respeito pelos que lá trabalham e por todos quantos viajam nos seus aviões. Por respeito a mim e à minha família, aos meus filhos que não conseguem viver no seu País, enfim a todos nós que alimentámos durante anos este sonho de ter uma companhia aérea que chamavam de bandeira. Afinal as nossas vidas, sobretudo as dos madeirenses, estão tão ligadas à TAP… Mas estou confiante: disseram-me há poucas horas que o negócio não se irá realizar. Fé já não tenho, mas esperança, sim. É o que resta, neste País.

Catanho Fernandes, Jornalista