Ainda ontem, Durão Barroso declarou que não havia nenhum problema por parte da Comissão Europeia em desbloquear a próxima fatia do empréstimo a Portugal já no próximo dia 8 de Outubro. Ao fazer tal afirmação Durão Barroso vem dizer que já conhece o que todos nós, destinatários do próximo Orçamento de Estado, continuamos a desconhecer - as medidas de austeridade que ele contém! O Governo Central só tirou uma lição das enormes manifestações de protesto do Povo Português - a do dia 15 de Setembro que o fez recuar no aumento da TSU em 7 pontos percentuais (pp) para os trabalhadores, com uma baixa de 4,6 pp para os empresários, o que significava uma drástica redução salarial e um aumento dos lucros das grandes empresas, e a da CGTP no passado dia 29 de Setembro que comprovou que a vontade de lutar para derrubar este Governo e esta política continua a crescer! E a lição que o Governo tirou é esconder até à última hora as novas medidas de austeridade que aí vêm, fazendo delas uma espécie de 'segredo de Estado' para os Portugueses enquanto os nossos espoliadores já as conhecem de cor e salteado! Mas não é muito difícil prever que tipo de medidas de austeridade virão no próximo OE. Em primeiro lugar, é necessário que se diga que as mesmas não surgem para substituir a TSU que caiu. A brutal subida da TSU visava fundamentalmente baixar os salários dos trabalhadores portugueses os quais, segundo a 'troika' e António Borges e o próprio Governo que pela voz do 1.º ministro já declarou que havia que empobrecer, ganham de mais. A TSU apenas daria uma receita de cerca de 500 milhões de euros para a Segurança Social e as medidas que aí vêm visam sacar mais de 4.000 milhões de euros para tapar o défice. Em segundo lugar, as medidas que virão serão na linha das já anunciadas pelo ministro das Finanças de brutal agravamento da carga fiscal, prevendo-se que, para contornar a obrigatoriedade por força da declaração de inconstitucionalidade do corte dos subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores da Função Pública e dos reformados, se faça uma farsa de aparentemente lhes devolver os dois retirando-lhes um no público e outro no privado através de uma taxa extraordinária e roubando-lhes o outro, total ou parcialmente, através da redução dos escalões do IRS e consequentes aumentos. Isto para além de prováveis cortes adicionais nas pensões consideradas mais elevadas, o que não deixa de ser um roubo pois as pessoas que as recebem pagam IRS e recebem com base no que descontaram ao longo da sua vida de trabalho confiantes que o Estado era seu fiel depositário. Desta forma, com algumas medidas simbólicas de taxação sobre o capital, o Governo irá novamente tentar buscar o grosso das receitas aos trabalhadores e aos que confiaram no Estado descontando toda a sua vida para acautelar um rendimento digno na velhice. Não tirou nenhuma lição do que está a acontecer - foi o exagero do aumento da carga fiscal que fez baixar todas as receitas à excepção da do IRS. Até parece que querem seguir um caminho onde nem isso irão obter, pois a sua política só cria mais desemprego com quase 16%, mais défice em 6,8% e mais dívida que já atinge quase 120% do PIB. Mas há quem se considere inteligente defendendo este caminho. António Borges, acessor do Governo para as privatizações, continua a considerar que a TSU era uma medida muito inteligente e que a maioria dos empresários que a ela se opuseram eram ignorantes. Além disso, persiste na mentira para dizer que os Portugueses ganham muito. Afirma que "80% da despesa do Estado são vencimentos de funcionários públicos". Ora, no OE de 2012 as despesas com pessoal nas Administrações Públicas - Central, Local e Regional - são 21,3% das despesas totais das Administrações Públicas em Portugal. O ódio dele é grande a quem viva acima do limiar da pobreza. Ele quer um País de pobres. Mas ele, enquanto representante do FMI para a Europa, só em 2011, ganhou 225 mil euros, livres de impostos, devido ao estatuto de que goza o FMI, segundo noticiou o Correio da Manhã. Além disso, não existem dados rigorosos de quanto é que recebe como conselheiro do Governo para ajudar a empobrecer os portugueses, mas não deve ser pouco, mas mesmo assim arranjou um 'tacho' na Jerónimo Martins, a tal empresa que se registou na Holanda para pagar, como outras, menos impostos. E continuando a desmontar os srs que mandam no FMI e defendem baixos salários e os cortes na TSU, vamos a outro - Poul Thomsen. Fanático dos cortes salariais e da redução da TSU que acabaria por pôr em causa a Segurança Social, este senhor é 'muito coerente' com aquilo que prega para os outros. Hoje ganhará mais de 309.000 dólares por ano, livres de impostos devido ao estatuto do FMI. Vive em Washington, numa mansão que lhe terá custado mais de 1 milhão e 500 mil dólares. Passou por Portugal e agora está na Grécia onde se afadiga em pôr o povo grego a pão e água. É gente desta escola, que apoiou as doutrinas que sustentaram Reagan, Tatcher e Pinochet, que governa Portugal - nunca estaremos descansados enquanto estiverem no Poder! Espero que o PS apoie as Moções de Censura do BE e do PCP, senão acaba por ser cúmplice de tudo isto, porque o mal não era só a TSU...

Paulo Martins