Manuel Nunes Há dias em conversa com um dos inúmeros portugueses que ganham cerca de seiscentos euros, ilíquidos, por mês, não me foi difícil chegar à conclusão que um cidadão que tem um ordenado daqueles, dificilmente consegue ter uma refeição completa no seu dia-a-dia. Dizia-me ele que, mesmo não tendo família constituída, precisava de fazer uma ginástica enorme para pagar as suas despesas inadiáveis e que estava preocupado com a situação face ao anunciado aumento de IRS. Conversa atrás de conversa dei comigo a imaginar as dificuldades de um casal em que só um dos dois trabalha, que tenha pelo menos um filho em idade escolar e que ao fim do mês tenha de rendimento os tais seiscentos euros, ilíquidos. Facilmente cheguei à conclusão de que, se não tiverem qualquer ajuda extra, inevitavelmente passarão fome, nem poderão dar ao filho o mínimo de condições para que consiga o sucesso escolar. Passando da conversa à acção se olharmos à nossa volta, quantas famílias conhecemos nestas condições? Muitas certamente, muitas mais do que alguma vez imaginamos e algumas que nunca nos passou pela cabeça que, em suas casas, tivessem estas dificuldades. Pessoa que sempre vimos saírem para os seus empregos, levando os filhos à escola, dando o seu passeio de fim-de-semana, sem sinais de carência de qualquer espécie e que agora envergonhadamente telefonam para as instituições a pedir ajuda. São estes mesmos cidadãos os grandes prejudicados pelo orçamento para 2013 do ministro Gaspar. Um orçamento que é uma autêntica bomba na vida dos portugueses, especialmente daqueles que vivem do seu trabalho. Sim porque para o senhor ministro Gaspar cortar na despesa significa ir ao bolso dos trabalhadores, dos reformados, dos pensionistas. Este ministro Gaspar não faz a mínima ideia do País em que vive. Saberá o senhor ministro o que significa ir às compras, abastecer o carro ou pagar um passe, pagar as despesas com a escola dos filhos, ter de ir à farmácia e, claro, pagar impostos? Não há orçamento familiar que resista. Diz o ministro Gaspar que é sua obrigação retribuir ao estado as despesas que este teve com a sua formação que, diz ele, foi cara e durante décadas. Acontece que esta patriótica intenção não lhe sai do bolso. Sai, antes do bolso dos seus concidadãos, especialmente daqueles que têm menos poder de compra e que não terão, no futuro a possibilidade do estado ter para com os seus filhos a mesma atenção que teve para consigo. Como me dizia o amigo do início deste texto, "estamos todos lixados com "F" grande.