Em tempos de mudança e inovação tecnológica, de imposição de elevada qualificação e formação académica, da exigência de um perfil alargado de competências pessoais e profissionais no mundo do trabalho, a juventude é intimada e desafiada a dar cumprimento à tradicional diáspora. Isto porque, além dos anunciados desafios à nova vaga de emigração jovem lançados pelos detentores do poder, com o consequente esvaziamento do território, a crise instalada na sociedade contemporânea revela-nos que o modelo socioeconómico, em vigor desde o último quartel do século XX, parece já não funcionar. O novel sistema global, complexo, contingencial, caótico e incerto de funcionamento faz ressaltar temáticas relacionadas com a globalização, a mobilidade dos fluxos de informação e financeiros, a demografia, a comunicação e a mediacracia, a personalização e os direitos humanos, a educação e a formação, a ecologia e o ambiente, e as tecnologias de informação e de comunicação. Ora, face à complexidade sistémica global, ao imperativo económico, à emigração jovem e altamente habilitada, ao esvaziamento de pessoal qualificado, formado e competente, ao envelhecimento da população, à multiplicação acelerada das mutações sobre o trabalho, se não tivermos governantes capazes de recorrer a medidas de gestão antecipadoras das alterações tecnológicas e das necessidades do mercado global, se permanecermos nesta terra, que futuro nos espera?
Francisco Capelo, Colaborador da AUMa