Entre Sá Pinto como treinador de um grande clube como o Sporting e o cantor de "lágrimas" e "deixei tudo por ela" há um dominador comum: Nenhum deles tem propensão para liderar e ter sucesso. Zé Cabra foi a paródia nacional quando decidiu enveredar pela vertente musical, desafinando e cantando sem ritmo. Depressa se eclipsou. Sá Pinto foi um jogador mediano. Outros portugueses também o foram, como Joaquim Meirim e Carlos Queirós, mas até acabaram por ter sucesso. Enquanto profissional do Sporting, o "coração de leão" como foi cognominado pelos milhares de fãs leoninos, teve 'fora de campo' comportamento marcante (pela negativa) como aquela ida até ao Vale do Jamor para agredir o então selecionador, Artur Jorge. Uma vez que continua a ser o 'menino bonito' da massa associativa do Sporting…vá lá saber-se porquê… Godinho Lopes, depois de lhe dar uma oportunidade nos juniores, concedeu-lhe a responsabilidade de liderar um processo na equipa principal do futebol profissional, assim a modos de um (seu) escudo protetor. Mas é aqui que reside o busílis da questão. É um processo completamente diferente liderar uma equipa de juniores (onde conseguiu bons resultados) e outra profissional. O estado de graça de Sá Pinto durou até se incompatibilizar com alguns jogadores e perder com a Académica a final da Taça de Portugal. Mesmo assim como bom gestor que é, o presidente do Sporting aumentou-lhe o vencimento de 60.000 para 700.000 €/época. E como grande sportinguista que se faz passar, Sá Pinto não pediu a demissão nem a rescisão de contrato, sendo mais um funcionário que vai receber nos próximos 2 anos sem nada dar em troca. A exemplo do ex-ministro da defesa de Saddam Hussein, Ali Hasan al-Majid, que foi o responsável pelo genocídio dos curdos e que apesar das tropas americanas já se encontrarem na capital do Iraque continuava convencido da vitória das suas tropas na guerra, também Sá Pinto levava a equipa para o precipício mas mantinha o discurso patético de "estamos fortes, muito mais fortes". Apesar da humilhação de que o Sporting foi sendo exposto…um dos piores arranques de época desde a sua existência…, o que mais me espanta é a continuidade de algum fundamentalismo por parte dos seus adeptos 'pró-Sá Pinto'. "Grandes" foram Damas, Manuel Fernandes, Hilário, Peres, Fraguito, Yazalde, Beto Acosta, mais a equipa dos 5 violinos, e tantos mais…

Miguel Justino, Repórter desportivo