Vamos partir de uma premissa antiga mas ainda muito actual: "Onde está o dinheiro está o poder!" e fazer um rastreio à entidade DINHEIRO, enumerando alguns pontos do seu ciclo de vida. (0) Convencionou-se equacionar riqueza produzida com uma moeda física, i.e. dinheiro. (1) As pessoas esperam uma progressiva e linear melhoria das suas condições de vida. (2) Na percepção da maioria das pessoas, a melhoria das condições de vida advém do progresso material, i.e. de mais dinheiro. (3) O governo tenta corresponder a esta expectativa. (4) O progresso material acontece a um certo ritmo normal; o ritmo ao qual o país produz riqueza. (5) Para facilitar e acelerar o progresso material, particulares e governo recorreram a instituições financeiras através das quais, com base na confiança, estas antecipam riqueza a ser gerada no futuro, i.e. disponibilizam dinheiro. (6) Muito do dinheiro passa a ser virtual, no sentido de estar em contraposição ao ponto (0). (7) A dívida contraída pelos governos junto das instituições financeiras tem prazos de pagamento e a confiança depositada é remunerada. (8) Num ciclo vicioso de tentar manter níveis de crescimento 'artificiais', os sucessivos governos com a conivência e colaboração das instituições financeiras, foram endividando o país a ponto da dívida ultrapassar 100% do PIB! Nesta enumeração podem e devem pôr-se em causa os pontos (0) e (2), mas especialmente o ponto (5), um verdadeiro barril de pólvora. Os rastilhos principais são os seguintes, o despesismo, a corrupção e a especulação. Eles arrastam famílias para a miséria, e praticados pelos governos arrastam todo um povo para a miséria. Os governos subestimaram o impacto destes rastilhos que somados a outros, como os custos de produção acrescidos devido a questões de minimização da poluição, questões de sustentabilidade, de preservação, o limite ecológico, e outras, frearam o crescimento económico e o retorno financeiro esperado. Em conclusão, as instituições financeiras quantificaram a confiança(:juros) e virtualizaram a riqueza(:dinheiro). Esta situação permite a muitos ter muito dinheiro sem produzir riqueza nenhuma, não admira que estejamos em crise.
Rui Almeida, Deputado do PAN na ALM