Paola P. Excelentíssimo Sr. Bispo, António Carrilho, queria fazer-lhe uma pergunta: o significado do matrimónio religioso, com estas novas leis da troika, também se alterou? Desde que eu me entendo como ser humano, com a educação e princípios religiosos que recebi até ao actual momento, o sentido e o valor dos sacramentos mudaram assim tanto ao ponto de a Igreja permitir estas situações vergonhosas? Tenho ainda uma outra questão para lhe colocar: como é possível a Igreja permitir um casamento de um indivíduo que já foi, anteriormente, casado pela Igreja e cujo estado civil é divorciado? Sim, todos nós sabemos que existe a possibilidade de anulação de casamento mas sabemos, igualmente, que para que tal aconteça é necessário apresentarmos fortes argumentos e estarmos numa das condições que a lei da Igreja prevê, o que não é o caso deste indivíduo, pois foi ele quem esteve em falta para com a sua anterior esposa e, por incrível que pareça, foi ele que requereu a anulação do casamento, sendo-lhe concedida o que permitiu, consequentemente, a celebração de um segundo matrimónio pela Igreja que foi realizado no dia 29 de Setembro pelas 16h:30m na Paróquia de São Pedro pelo Cónego Carvalho! O mais grave de tudo isto é que a Igreja permitiu que se realizasse este segundo casamento quando este indivíduo, logo após o divórcio já se encontrava a viver com a actual esposa, sendo que esta já se encontrava grávida! Isto mostra-nos que quem falhou para com o casamento foi ele e não a primeira esposa! Então eu pergunto: onde estavam os valores que a Igreja tanto defende aquando da decisão tomada em relação a este processo de anulação de casamento? Infelizmente, caros leitores, esta é uma história verídica e merecia estar no livro do guiness! Estará já a crise a chegar à nossa religião e às nossas Igrejas católicas? Ou isto terá sido permitido somente por uma questão de contribuir para as estatísticas no que diz respeito ao número de casamentos religiosos, por ano, na Região? Sim! Pois não consigo ver outra justificação para tal situação, pois casar por obrigação penso que não foi o caso deste indivíduo, até porque isso dava-se no tempo em que deu a novela da Gabriela ou até mesmo na altura em que os pais "arranjavam" o casamento dos filhos! Finalmente questiono: Será que isto vai pegar moda? Ou será que este casamento serviu, somente, para aumentar as receitas financeiras da nossa Igreja? Isto sim é uma VERGONHA! Assim Sr. Bispo, cada vez mais o Senhor contribui para aumentar a fé do povo, sobretudo aqueles que queiram mudar de esposo (a) desde que lhes apeteça! Um bem-haja ao Senhor Bispo e ao Sr. Cónego Carvalho!