A Fundação Madeira Classic foi-se. Criada em Março de 2006, a pretexto de cativar um maior número de apoios privados, argumento que apenas serviu para esvaziar o papel dos sócios individuais da Associação Orquestra Clássica da Madeira, a Fundação nunca passou de um brinquedo com que se entretinham uns apilha galinhas que se escolheram a si próprios para brincar Ad libitum e sem terem de prestar contas a ninguém. Empoleirados e de olhos fechados, galo que é galo sabe a música de cor, proclamaram em alto e bom som, vem aí a Orquestra Sinfónica. E veio. Ai ai ai ai ai... Que tal pensar em crescer como crescem todas as árvores, com naturalidade, cativando e envolvendo a população, apoiando os jovens promissores da região, indicando-lhes o caminho da Orquestra. Não se faz isto com cinco por cento das verbas que por comparação, são dadas ao desporto.Tivesse sido assim, levaríamos já trinta anos de avanço e não teríamos com certeza a vergonhosa marca de meio português por concerto. Entretanto a Orquestra há muito que parece ter enveredado pelas sonatas e pela arte da fuga. Já os músicos, dão mostras de que são uns verdadeiros filhos da pauta, muito certinhos e executando apenas e só, o que lhes põem na estante. Ninguém se chega ao trombone! E são todos grandes. Com um sorriso nos lábios, administradores e executivos podem todos continuar a sonatar sossegadinhos porque ninguém lhes vai chatear os ouvidos. Muito menos o povo, esse lamentavelmente nem deu pela falta. Resta-nos voltar a antes de Março de 2006 ou, quiçá ... O futuro é o nosso passado e o passado é o nosso futuro.

Eurico Martins, Orquestra de Bandolins da Madeira