O governo de Portugal descamba. Espezinha o trabalho, e já nem passos dá, sem a merecida vaia, com segurança reforçada. A canga Passos/Portas apenas tem uma agenda extremista, que não foi sufragada pelos portugueses, em que o Memorando apenas constitui um álibi, para materializar o conceito que eles têm do país, do povo, e dos interesses que acolhem. Elegemos uns lobos com peles de cordeiro, após afastar uma ardilosa raposa, que deambula nos finos Champs Élysées. A democracia representativa é fundamentalmente baseada na confiança, entre os eleitores e os candidatos, mediante os programas eleitorais com que estes últimos se apresentam ao eleitorado. Em Portugal, com tanta "comissão do sexo dos anjos", não se criou uma, que audite o paralelo entre o programa eleitoral sufragado, e a execução do governo dos eleitos, tal como sucede por exemplo, na Holanda. É urgente uma concertação das oposições. Leiam Boaventura de Sousa Santos nas várias "Cartas às Esquerdas", e deixem-se de fogachos com que se embasbacam com as recentes sondagens. Há portugueses sem esperança, sem trabalho e a quem lhes é sonegada a dignidade. Compatriotas sem direito sequer, a um fórum de queixume e que desistem da vida. Uma equação de maus resultados que se avoluma, tal como as gentes que, de tolerância limitada, enchem as praças. A Madeira também está na espiral do desastre, com a sua autonomia auto-vilipendiada sob assistência de várias tutelas. O velho aceno da independência do arquipélago, a nova fé do petróleo, e o esbracejar do almanaque de receitas para o resto do mundo, são sinais da total alienação, dum regime moribundo e enquistado pelo tempo. Talvez na Madeira, 45 vitórias sejam um desígnio perpétuo, tendente à beatificação, mas visto de fora, há quem chame outra coisa.
Donato Macedo, Lic. em Comunicação