O País das notícias e das cabeças pensantes escandalizou-se e bem com o insulto de António Borges aos patrões. Para o consultor de Passos Coelho em matéria de privatizações os empresários são “ignorantes” e, julgava ele, ponto final. Enganou-se.
Mas cada terra tem os seus ‘Borges’, com as mesmas manias de superioridade, sempre sem culpas, prontos para dar notas redutoras e ridicularizar quem põe de facto a economia em marcha. A Madeira não foge à regra, dando guarida a alguns maus exemplos, seres determinados a enxovalhar empresários de forma bem mais gravosa, sem que o mesmo País lhes tenha ainda dado a devida lição de boas maneiras.
Afinal quem terá sido o principal responsável pelas falências registadas, pelos despedimentos inevitáveis e pelo desemprego galopante, tudo à conta de calotes de milhões de euros a empresas prestadoras de serviços ou fornecedoras de bens às estruturas de governo regional e local?
E quem foi que se armou em justiceiro, determinado em pregar sustos à banca, instigando empresários a não terem atitudes subservientes perante as entidades financeiras e a “não se deixarem subjugar à ditadura da banca”, mas que agora sem liquidez apesar do património, sem crédito mas com nome, desesperam por euros que não estão disponíveis?
Quem foi que recentemente condecorou empresários alegadamente pelo sentido de serviço público, que mais não é do que fazerem obras "sem estar a exigir dinheiro ao Governo", por saber esperar e suportar os custos das mesmas, como se quem legitimamente o exige, zelando pelos seus direitos, estivesse a prevaricar?
Quem foi que sentenciou insolvências daqueles que alegadamente se puseram a repercutir custos no consumidor, tentando obter margens normais nos negócios e ouviram dizer: “a estas pessoas, não lhes garanto o futuro”?
Quem foi que durante alguns anos incentivou os empresários da saúde a abrir serviços específicos e clínicas, mas agora fecha-lhes as portas, ao concentrar tudo no sector público?
Quem é que ordenou a vergonhosa prática de ‘dumping’, rasgou contratos sérios e soluções de viabilização empresarial em delírios nos quais o Governo espatifa milhões sem retorno?
Quem é que habitualmente reproduz em público conversas privadas alusivas a negócios uma vez acertados, mas que entretanto se desfizeram por capricho de uma das partes?
Quem é que durante anos permitiu monopólios que encarece a vida de quem importa e fez concursos à medida dos seus e daqueles que garantem a sobrevivência da família política que sustenta o poder?
Quem foi o signatário de planos impossíveis e cúmplice do buraco financeiro responsável pela agonia empresarial?
Quem é que por lapsos e omissões dá má imagem do Centro Internacional de Negócios e contraria a dinâmica de atracção de investimento directo estrangeiro na Região?
Quem é que anda a dar cabo do Turismo, sem estratégia na promoção, sem espírito pela procura de novos mercados e sem vontade de mudar de rumo?
Quem é que dispensa os empreendedores e criativos para dar palco e distinções aos medíocres e bajuladores?
Quem é que dispensa os conselhos fundamentados de quem tem experiência preferindo quem tem cunhas e chega com a promessa de não incomodar?
Quem é que por estes dias mandou escrever barbaridades sobre a responsabilidade social e ambiental de empresas madeirenses?
Quem é que foi já foi avisado para pôr termo à prática de concorrência desleal e reincide em manobras que lesam as dinâmicas próprias do mercado, como os que comprometem o pluralismo na imprensa regional?
Quem é que encomendou abordagens ‘jornalísticas’ não assinadas aos universos empresariais de figuras honestas da economia regional, na tentativa de desprestigiar quem paga impostos e gera postos de trabalho?
Quem é que em cerimónias públicas intimida empresários a não anunciar no DIÁRIO e já o ameaçou de expropriação?
Quem é que telefona para pretensos amigos no sentido de saber porque razão dão notícias ao jornal hostil?
Quem é que presidiu a uma comissão parlamentar de inquérito à comunicação social com o intuito de abater uma empresa do sector, decidindo com base em convicções impostas e não em provas, omitindo números e factos?
Quem foi que decretou um dia destes que “o DIÁRIO não vai resistir” se Jardim ganhar as eleições no PSD-M, comprovando que não passa de um perigoso democrata por querer asfixiar o pluralismo informativo na Região?
Quem é que usa notícias catalogadas de desfavoráveis para chantagear, pedir favores ou negociar pretensos ‘exclusivos’, subvertendo regras elementares e éticas comunicacionais?
Quem....? Quem assim age, seja ele quem for, mais do que insultar com palavreado fútil e com ofensa gratuitas, atenta contra a sabedoria, a dedicação e a iniciativa daqueles que ergueram a Região sem nada deverem aos coveiros da Autonomia.
Os ‘Borges’ da Madeira para além de humilharem empresários, atentam contra a economia real, subvertem as elementares regras do mercado, afugentam investidores, delapidam o património colectivo, sem que sejam investigados, julgados e presos. Se houvesse Justiça quem "nunca trabalhou na vida, nunca teve de pagar salários e não sabe do que está a falar", - frase que Filipe de Botton, presidente da Logoplaste, aplicou a António Borges -, tinha mais com que se entreter.