António C. Vem esta carta a propósito do sentimento da ganância que por vezes assola as pessoas quando a oportunidade aguça o engenho. Ali na Rua 1, do Bairro do Hospital, Funchal, existe uma pastelaria, corriqueira, separada da rua por uma estrutura em alumínio, situada no rés-do-chão de um prédio com sinais evidentes de envelhecimento, a qual não oferece ao cliente nenhum conforto extra, nem nenhum serviço excepcional que não se encontre nas normais pastelarias e cafés existentes pela ilha fora, bem pelo contrário, ali o serviço é todo muito a correr, de relações frias, com muito barulho e confusão à mistura, onde, embora a má-criação não se manifeste, a simpatia também não abunda, e aquela "parede" em alumínio que separa as pessoas da rua torna o ambiente frio e distante. Portanto, diria, mais do mesmo sem novidade alguma. Nos cafés e pastelarias similares a esta o preçário anda quase sempre de mãos dadas com as condições oferecidas aos clientes, vê-se até por vezes algumas tentativas de cativação ao cliente na forma de pequenas promoções, tipo: "café + bolo", "sandes + chinesa", etc e neste circulo de estabelecimentos similares é fácil ver a concorrência baixar o preço da "bica" para valores perto dos 0,50€ ou menos. É uma forma menos rentável de cativar clientes mas que vai sendo norma dos tempos que correm. Nesta pastelaria a que me refiro, que dá pelo nome de "Aguiar's", as coisas não funcionam assim. Uma "bica" custa 0,80€, embora o café, ao sabor, não nos traga novidade nenhuma, não passando de um corriqueiro café de qualidade mediana. Uma simples sandes e uma chinesa já quase roça os 4,00€, o que normalmente, em estabelecimentos com qualidade idêntica, pagaremos cerca de 2,50€. Entre outros exemplos de exagero no preçário que podia mencionar aqui. Portanto isto significa que esta pastelaria assume frontalmente um preçário oportunista e ganancioso, porquanto ali perto existe um hospital, o qual é frequentado diariamente por centenas de pessoas, as quais não encontram ali por perto outras alternativas, sujeitando-se a um preçário exigente demais tendo em conta o contexto qualitativo que é oferecido aos seus utentes por este estabelecimento comercial. São estes expedientes de oportunismos gananciosos, alimentados pela necessidade popular, que deviam ser devidamente fiscalizados, em nome da moralidade comercial e das relações entre os serviços e os seus utentes. Da minha parte não terão mais a minha visita.