Conheci José António Ramos, músico e compositor canário em 2007, durante o I Encontro de Música da Macaronésia. Falámos muito sobre as duas realidades insulares e os projetos que nos envolviam enquanto tocadores de cordofones (Rajão e Timple). A minha curiosidade, levou-me a questioná-lo sobre o ambiente e as estruturas musicais existentes no seu arquipélago, nomeadamente a Orquestra Sinfónica de Tenerife e a Orquestra Filarmónica de Gran Canaria. Fiquei a saber que ambas pertencem à Associação Espanhola de Orquestras Sinfónicas (28) e que têm uma excelente cotação nacional e internacional. A Orquestra Sinfónica de Tenerife, começou por ser Orquestra de Câmara de Canárias, a quando da sua criação em 1935. Nos anos 70, reorganizou-se e expandiu-se no atual formato. Das diversas digressões destacam-se para além de Espanha, a Alemanha e a Inglaterra (a convite da BBC). Gravou 30 discos, editados pelas conhecidas Deutsche Grammophone, Decca e Auvidis. A outra formação artística, a Orquestra Filarmónica de Gran Canaria, surge nos anos 80, sob o auspício do governo local. Das suas saídas internacionais conta-se a Alemanha, a Áustria, a Suíça, o Japão em 2006 e a China em 2007.Tem 25 CD's gravados para as etiquetas Arte Nova e ASV, com vários prémios de referência. A nossa conversa levou-nos até ao turismo e desporto. O primeiro, beneficiou claramente, destas duas instituições de prestígio e mais-valia, em qualquer tempo e conjuntura. O segundo, não tem grande expressão. O Unión Deportiva Las Palmas, tem variado entre a primeira liga (31 anos), a segunda divisão (22 anos) e segunda divisão B (6 anos). O seu mérito foi reunir 5 pequenos clubes de Gran Canaria numa só estrutura…! A conversa de três dias ficou para sempre. Resumindo: dois arquipélagos, a mesma ultra-periferia, o mesmo oceano, autonomia semelhante, a mesma Europa...mas opções significativamente diferentes para modelos diversos de desenvolvimento.

Vítor Sardinha, Músico