A carta de intenções vinda a público é o anúncio do fim da Autonomia e das suas conquistas mais importantes que serviam a maioria da população. Por mais explicações que o poder regional do PSD tente encontrar para continuar a enganar quem admite ser enganado, a Autonomia está à beira do fim e com ela as aspirações dos madeirenses, de continuarem a ver atenuados os custos de viverem numa ilha com um custo de vida mais caro longe de todos os centros de decisão. Ouvir as palavras do presidente do Governo Regional na entrevista à RTP-M foi um pesadelo. Não entendo, não percebo e não compreendo como é que uma região pode sobreviver tendo como principal governante alguém que demonstra estar a leste da situação que estamos a viver. Disse asneira atrás de asneira, fez contas completamente erradas. Tratou-nos como se fôssemos uma cambada de burros e ignorantes, quando, entre outras coisas, disse que o aumento dos impostos vai melhorar a nossa vida e que ainda vamos ficar melhor. Não existe no próprio PSD alguma vergonha na cara para admitir uma coisa destas? Como é que um responsável, como o secretário das Finanças, admite a um seu correligionário dizer semelhante asneira sem se demarcar perante a sociedade madeirense? Estamos a viver não só uma vergonha do ponto de vista político, financeiro, social e laboral como estamos a viver uma degradação das principais figuras deste regime que está a cair de podre e ainda tem cobertura legal para sobreviver. É triste, é degradante e é vergonhoso assistir a semelhante situação vendo como um povo pacífico, sereno e confiante continua a assistir e a falar por detrás das costas mas a fugir da luta como o diabo foge da cruz. Não chegou a altura de ser criada uma verdadeira alternativa social e autonómica, que saia das nossas paredes e que venha para a rua, que discuta a situação que estamos a viver e que dê as mãos para encontrar um caminho alternativo? Será que estamos condenados a ter que aturar tudo isto como se fosse a coisa mais normal do mundo? Para situações excecionais não é necessário encontrar também respostas excecionais? Será que precisamos de esperar que venha de fora a resposta que tem que ser dada por nós? Dirão os leitores: mas como? Não sei, vamos debater, vamos experimentar, mas assim como está não dá, e isto tem sido dito e repetido por muita gente, a começar por muitos políticos da oposição, jornalistas e articulistas deste matutino. Estão a ser feitas análises muito boas de muitas pessoas que poderiam contribuir para este movimento informal e autonómico. Eu confesso que até já começo a ficar "saturada" de ler tanta coisa, mas sempre sem qualquer saída ou então com uns apelos a entidades que já sabemos à partida que não vão agir nunca se não houver um forte movimento na sociedade que as obrigue a tal. Todos poderemos ter um papel para mudar este estado de coisas. Não lancemos as responsabilidades para cima de outros, ficando à espera, sem fazer nada. É mais fácil dizer que estes e aqueles não se mexem, que são sempre os mesmos etc… Tenhamos um papel mais ativo participando, dando opinião responsável sem enxovalhos e mediocridades, tentando mobilizar os que ainda estão dispostos a se mexerem para que a Autonomia não morra por completo. Não excluamos à partida ninguém pois todas as opiniões são válidas para o debate que é urgente e necessário ser feito, mostrando que existem madeirenses dispostos a dar as mãos para tirar a Madeira do fosso onde foi metida por governantes irresponsáveis. Senão o que restará da Autonomia é a morte de tudo o que é positivo para a população e a manutenção dos privilégios para quem nos desgraçou.
Guida Vieira