Não é a primeira vez que Jardim é apanhado com "as calças na mão". Quem não se lembra da célebre reportagem do 'Tal e Qual' e da figura premonitória de que um dia a região política que governa estaria de tanga. O mesmo carnaval voltou, em noite de reis, em formato de entrevista televisiva, mais uma!, que teve o mérito de pôr a nu a incapacidade negociadora daquele que já foi o líder lutador, a perda de Autonomia e o descalabro governativo de quem repete até exaustão que deixou obra mas não assume que escondeu dívida e perverteu prioridades. Jardim tentou ser sincero. Pelo menos uma vez, ao não garantir nada de essencial, por alegadamente estar num 'País de loucos' que também é o seu, com o intuito de não voltar a ser acusado de incumprimento. Tentou, mas depressa caiu em contradição, ao vaticinar realidades improváveis e até a fazer confissões despropositadas. Jardim mentiu, mais uma vez, ao assumir que é o "elo mais fraco". Fracos são todos aqueles que tremem das pernas por não terem o essencial, o pão que os sustente, os reembolsos das consultas onde estoiraram as míseras reformas, os transportes para poderem fazer a sua vida, o justo salário por trabalho efectivamente prestado e o dinheiro para os remédios que é preciso tomar, numa terra que deixou de ser 'cantinho do céu' e de oferecer oportunidades. Fracos são todos aqueles que esperaram, em vão, ouvir um pedido de perdão público pelas falsas promessas quanto à não subida de impostos e pelos calotes que continuam por saldar, dívidas vergonhosas que já originaram insolvências e falências, desemprego e perda de dignidade humana. Fracos são todos os que resistem, procurando manter equilíbrios, paz de espírito e tolerância democrática perante tanta atrocidade, perda de direitos e enxovalho público. Fracos são os que esbanjam oportunidades de mudança, crentes que "para pior já basta assim". Eloquente e ao mesmo tempo preocupante foi o que Jardim não disse. Como é que vai manter e pagar as suas noivas, que tudo desterram sem proveito colectivo? O que dará em troca a quem concorrer às desinteressantes privatizações em curso? Como é que fará os preços descerem quando a carga fiscal aumenta? Como garantirá os postos de trabalho excedentários na função pública? Que antídoto tem para a convulsão social já em marcha? O que fará para pagar às empresas que, sem confiança no futuro, transferem sedes e negócios para outras bandas? Como atrairá de novo as empresas para a praça madeirense, quando não foi capaz de assegurar a continuidade delas por manifesto desleixo e incompetência? Que sacrifícios se propõe o governo fazer para dar o exemplo no tempo de austeridade, opções sustentadas que não se resumam a retirar subsídios por vingança a quem bateu o pé e levantou a voz? De que sectores desviará verbas para pagar desvarios? Quando é que vai dizer aos madeirenses que para não ter IVA a 23% aceitou diminuição de verbas do Estado destinadas ao investimento? Se quiser responder a estas e a outras, basta ter a gentileza de olhar de novo para o convite que lhe foi endereçado por escrito por este DIÁRIO, mal tomou posse como presidente do Governo. Já lá vão muitas semanas e nem um 'não' se dignou escrever. De que tem medo? De si próprio? Baba, Futebolista Marcou mais dois golos, mas acima de tudo deixou o presidente do Marítimo a sonhar com seis milhões de euros. Se sair, vai deixar saudades. João Cunha e Silva, Vice-Presidente Fez parte da solução para o Lido, não quer desvios à Lei de Meios e está disponível para o debate frontal. Louva-se a determinação. Nuno Teixeira, Eurodeputado Começa o ano como acabou 2011, ou seja, a provar que estuda 'dossiers' e fundamenta posições antes de convocar a imprensa. Louvável. Castanheira da Costa, Reitor da Universidade As crises servem para disciplinar hábitos e educar para a contenção. A UMa fará por gerir "dificuldades sérias". Que sirva de exemplo. José Manuel Coelho, Deputado Especializou-se no insulto e actua tal qual como quem tanto critica. Já devia saber que, mesmo tendo mais dinheiro, não cala as verdades.