Imaginem que são chamados a avaliar o trabalho de um qualquer gestor que se prepara para iniciar funções numa empresa que nos últimos anos vem mostrando sinais claros de problemas, a todos os níveis. O gestor, ao entrar, tem o cuidado de estudar o actual estado da dita, para poder posteriormente planear o futuro, delinear estratégias, implementar metodologias de trabalho adequadas e eventuais mudanças. Depara-se, em alguns departamentos, com excesso de pessoal; outros, onde os métodos são absolutamente arcaicos e nada condizentes com o que hoje em dia a tecnologia possibilita; noutros ainda, com colaboradores desmotivados, sem formação adequada e totalmente impossibilitados de executar as funções para as quais são pagos; num outro, fruto de promoções por antiguidade e outras pérolas semelhantes, com mais chefes do que subordinados; outro ainda completamente esvaziado de competências mas em funcionamento só porque sempre existiu. O que diriam se a solução fundamental do gestor fosse aumentar os preços de venda do produto para fazer face ao quadro acima descrito? E que a outra medida a implementar fosse a redução a eito de, por exemplo, 2% do número de funcionários, por imposição do Conselho de Administração? E se, conjugado com estas medidas, fosse decidido igualmente cortar todo o tipo de investimento, mesmo aquele tendencialmente reprodutivo, que potencializasse o aproveitamento dos vários recursos? Faltam-me os caracteres para continuar mas não resisto a tentar adivinhar que, se fosse como hoje se vê em todo o lado, o que fariam seria certamente pugnar pela atribuição de um prémio de produtividade ao gestor, aumentar-lhe o ordenado e permitir que ele ficasse mais uns anos no cargo… Com direito a diuturnidades e reforma por inteiro, claro!

André Barreto, Gestor