Maria Caires Confesso que admiro a frontalidade do Governo da República ao tomar estas medidas tão drásticas. Era preciso um abanão para acordarmos do mundo de ilusão em que vivíamos e que fomos levados a viver. Obrigada por nos ter acordado para o pesadelo que estamos a viver. Aceito que muitas destas medidas tivessem de ser tomadas, mas convenhamos sr. primeiro-ministro algo está bem mal ainda no nosso país. Então vejamos, agora temos de apresentar o nosso IRS do ano anterior para comprar os passes. Sim, para vir trabalhar temos de pagar o transporte do nosso já de si magro salário. Sr. primeiro-ministro, é preciso poupar? Então comecemos, por exemplo, por gestores, administradores, vereadores e muitos outros que logo pela manhã e ao final da tarde têm um carrito do governo para se deslocaram ao serviço. O magro salário que auferem não dá para pagar um passe como nós pagamos? Veja Sr. ministro quanto poupa mas não, o Zé Povinho paga e cala. Apanha chuva, vento e sol na paragem dos autocarros mal protegido mas não faz mal. E mais coitadinhos ganham tão pouco! E ainda há as despesas de representação para irem bem vestidinhos e nós e nós sr. primeiro-ministro que temos de pagar o nosso vestuário porquê? Não somos todos portugueses? Sim, o cinto aperta cada vez mais. E quanto à alimentação? Zé Povinho não te queixes. Agora encontras sopa em muitos cafés e restaurantes. Os outros senhores coitaditos é que não podem pagar as refeições, têm mais um bocadinho no ordenado para isso. Não, não e não, não me estou a lamentar! Sr. primeiro-ministro sou leiga em finanças mas o sr. e os seus ministros e todos os que pelo governo já passaram padecem todos do mesmo mal quando toca a pagar. Parece que vos dá um torcicolo no pescoço e só olham para baixo para o Zé Povinho. Zé Povinho não te queixes mais, tens a barriga cheia de migalhas …