José Gualter Rodrigues Habituado a caminhar por toda a ilha, há muito que tencionava dar uma volta nostálgica pelo molhe da Pontinha, e recordar os tempos em que por lá calcorreava sem restrições. Matar saudades das pescarias livres e dos concursos de pesca, que por lá se faziam, das viagens de cabotagem entre o cais da cidade e o molhe, das visitas aos transatlânticos que lá atracavam. Mas por uma razão ou outra, com uma desculpa ou outra, fui sucessivamente adiando essa caminhada até que na última sexta-feira, livre finalmente de outros compromissos, lá fui Pontinha adentro, curioso por ver as novas obras que por lá foram levadas a cabo. A gare de passageiros! Juntei-me a um amigo das caminhadas e, encantados, lá fomos nós em passo acelerado em direcção ao fundo do molhe. De repente... algo estava mal! Havia no ar um leve odor que começava a ser desagradável embora ainda não completamente identificável, mas suportável! À medida que progredíamos para o interior, em direcção à gare, mais aumentava o cheiro, que, às tantas, era já um fedor, bem reconhecido: URINA! Ao longo de todo o edifício da gare, o ar pestilento infiltrava-se pelas narinas dentro, inibindo-nos de abrir a boca para a normal conversa entre companheiros de aventura. Em passo mais acelerado ainda, abandonámos o molhe, não sem antes dirigirmos um último olhar de despedida e saudade àquele, agora, recanto de desencanto. Que se espera para que se acabe come esse MIJADEIRO PÚBLICO! Que algum jornal estrangeiro, mais depreciativamente ainda, nos chame a atenção para esse facto? Afinal a entrada no molhe da Pontinha, embora livre, é proibitiva, e não recomendável.