“Então bom ano”. A frase costuma sair lampeira e instantânea nos primeiros dias de qualquer ano que começa. Normalmente vem carregada de esperança, porque um ano novo é sempre um ciclo que começa.

Este ano, contudo, confesso que tenho evitado que a frase se solte, como se tivesse vontade própria. Escolho bem o interlocutor, não porque não faça votos profundos de que 2012 seja próspero para todos com quem me cruze, mas porque temo a resposta aos meus votos sinceros.

É que este é o ano de todos os medos. Medo da pobreza, medo do desemprego, medo do que aí vem. E as pessoas já o condenaram à partida. Ninguém acredita que 2012 possa ser mesmo bom. E não se pode criticar as pessoas pela dose de realismo. É que o ano novo chegou com preços mais altos, instabilidade, austeridade, desemprego, salários em atraso e mais uma mão cheia de coisas que não se quer, mas que nem em dias de Reis se podem devolver milagrosamente.

E por isso ouvi algumas vezes um irónico: “ Sim, sim, bom ano. Deve ser”, em resposta ao efusivo e expectável voto de esperança com que brindava aqueles com quem me ía cruzando.

Talvez por viver com uma criança que ignora, na sua felicidade, os palavrões que todos os dias nos entram em casa e que, por enquanto, não sabe o que é a crise, só posso ter esperança de que 2012 não seja tão mau como se espera. E isto não é contágio da entrevista irrealista e a assobiar para o lado do presidente do Governo Regional, que diz ter feito tudo bem em mais de 30 anos de governação. E ainda diz que os preços podem baixar apesar da subida brutal do IVA, que se avizinha.

Não é isso, é que apesar de ter perdido a confiança em quem nos governa, ainda acredito nas pessoas. Em nós, estejamos na Madeira ou em Lisboa. E por isso, mantenho a expectativa de que consigamos dar a volta a este malfadado ano, onde também crianças nascerão e coisas boas serão feitas. Bom ano!