Saídos da ditadura, as perseguições e censura deram lugar a participação activa em eleições do que resultou a convicção de que "o voto é a arma do povo"! Decorridas vários anos, chegados a actual situação económica e à necessidade de regredir nas ditas conquistas de Abril, questionamo-nos sobre as verdadeiras virtudes da democracia concluindo que mais do que o "voto" a arma do povo e a ATITUDE. A convicção que impomos nas nossas tarefas diárias, na nossa vida e o empenho que lhes dedicamos são a verdadeira arma para um futuro melhor e uma maior justiça social. Não chega depositar confiança nos políticos em quem mais nos revemos se nos abstraímos do nosso papel na sociedade; A ATITUDE, ou seja, a forma como nos apresentamos, os valores que defendemos e pregamos e os esforços que dispensamos aos outros são a verdadeira arma para a recuperação económica, para a redução do desemprego e para o aumento da produção nacional. As gerações mais novas têm de o apreender, sendo nossa responsabilidade transmitir-lhes os verdadeiros valores da solidariedade, do rigor, da dedicação, do respeito pelo próximo. Os docentes, em paralelo com os pais e a família estão incumbidos da missão de as formar cientifica e civicamente. Políticos e líderes, sejam-no no seio familiar, empresarial, profissional ou associativo constituem exemplos para essas gerações. Temos de lhes transmitir a virtude da possibilidade de aprendizagem aquando do insucesso e a dignidade associada à inversão de posições quando concluímos estar errados. Persistir teimosamente com decisões que se conclui não serem correctas ou censurar os que não atingem o sucesso constituem orgulhosas forma de estar que não constituem contributos para o bem comum. 2012 está aí e não tenhamos duvidas de que há futuro para lá da Troika. Esse futuro estará tão mais perto quanto o empenho que dispensarmos à sua conquista. Da nossa ATITUDE depende a dimensão desse futuro! Bom Ano Novo! E vamos ao trabalho.

Rui Gomes Coelho, Economista