O ‘Plano de Resgate’ é uma espécie de assalto à mão armada, que embora não mate de forma repentina, acaba com todas as esperanças insulares, dá cabo da dignidade humana e tem todos os ingredientes para gerar desespero, desemprego, emigração, instabilidade social e alienação.
Perante tamanho roubo e incentivo à violência, resta-me ponderar processar criminalmente o signatário deste plano impossível de cumprir, embora tenha dúvidas se encontrarei gente disponível no regime para defender a causa. Perante um atentado sem precedentes aos valores, quer os cristãos, qualquer que seja o culto, ou outros universalmente aceites, é elementar levar à justiça quem mente, ofende e massacra. Perante o extermínio da Autonomia com a qual crescemos e pela qual lutamos, importa levar o principal traidor a tribunal.
Foi o signatário da alegada ajuda financeira - que não dá para contentar metade da clientela institucionalizada - agora armado em humilde servo, que nos fez chegar aqui. Gastou sem regras, perverteu prioridades, espatifou sem arrependimento. Foi ele que, de “calças na mão”, gritou tardiamente por socorro. Foi ele que acordou sem escrúpulos submeter os madeirenses, mais uns do que outros, a sacrifícios inéditos e assustadores.
O negociador que alegadamente nos governa até já confessou erros de palmatória, práticas abomináveis em democracia, matérias por si só merecedoras de intervenção imediata do Ministério Público. Atente-se num dos muitos eloquentes compromissos plasmado no ‘Plano’: "O Governo Regional compromete-se a conceder maior independência, qualidade e valia técnica à Direcção Regional de Estatística,…garantindo isenção”. Leu bem! O signatário assume que os dados saídos da estatística regional ficavam a dever ao rigor, sabe-se bem a mando de quem. E isto devia ser motivo de julgamento num Estado que se diz de direito. Mas há mais, imensas provas de manipulação, agora desagravadas com propósitos que nem o Governo Regional sabe que dimensão terão, caso das taxas a aplicar a tudo quanto é agora gratuito. Tudo para meter ao barulho na inevitável contestação pública.
De nada lhe vale o falso arrependimento. Não nos comove que finja ter aceite humildemente as imposições da ‘troika’ que afinal, apesar do desmentido de circunstância, esteve por cá! Ou que admita ter-se vergado à República, embora esconda que o fez em proveito próprio. Repararam que ao abrigo do princípio UI e na lógica de “quem vier a seguir que feche a porta”, o negociador tratou da sua vidinha, garantindo um empréstimo sem custos só até final do seu mandato? E depois de 2015, quem paga a factura? Quem quererá herdar a letra rubricada por quem sempre se gabou de nada ter assinado?
Prepare o cheque. A memória curta terá preço. Quem foi que em Novembro passado garantiu que o futuro da Região só podia “ser o que o povo madeirense quiser e não o que outros impuserem”? Quem foi que gritou bem alto “a Madeira não se rendeu, nem se rende”? Quem foi que prometeu não aumentar impostos e não cumpriu? Quem foi?