Manuel João Rosa Faz parte do património cultural da minha geração a definição territorial do Portugal Imperial: Continente, Províncias Ultramarinas e Ilhas Adjacentes. Com o 25 de Abril foram extintas as Províncias Ultramarinas e as Ilhas Adjacentes, aquelas pela descolonização e estas pela consagração na Constituição das Regiões Autónomas. Aprendi na vida, e mais tarde na escola, que qualquer autonomia tem como requisito básico uma situação financeira equilibrada, o que implica rendimentos correntes suficientes para sustentar os gastos correlativos, pois só nessa medida somos autónomos, não pressionáveis pelos credores, caso contrário a autonomia não passa de uma miragem. Houve (e ainda há) administradores que, por ignorarem tal regra financeira, conduziram o País à bancarrota e as Regiões Autónomas ao tempo das Ihas Adjacentes, no qual Lisboa imponha a sua autoridade a seu belo prazer. Infelizmente tal aconteceu e seremos nós, cidadãos comuns, a arcar com as consequências pelo desrespeito para com o principio básico do "crescimento sustentável" que no fundo se resume a duas simples regras: 1. equilíbrio entre os gastos e as receitas correntes; 2. financiamento do crescimento (aumento de bens duradouros) com base nas duas fontes de capitais conhecidas: a) a do auto-financiamento (excedente de receitas sobre gastos correntes), b) e a do financiamento externo (empréstimos a médio e longo prazo) sendo que esta fonte não deve ser superior à anterior (auto-financiamento). Só deste modo se poderá aspirar a uma autonomia financeira e política sustentável.