Àvista desarmada, não valeu a pena esperar tanto tempo pela reconfirmação dos termos principais do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro da Madeira. Os eventuais ganhos - prazo do empréstimo e período de carência - poderiam ter sido assegurados com muito menos ruído e sem as cenas tristes do costume. E muito mais depressa. No fim da linha, Jardim teve de aceitar tudo. O pseudo braço-de-ferro não existiu, porque para isso seria necessário haver dois lados da barricada. Apesar de tudo, para os menos informados - que os há, por comodismo ou por conveniência - pode parecer que voltámos a ser defendidos até à última gota de sangue. Infelizmente, as evidências mostram uma teatralização dispensável, que se consubstanciará dentro de dias, quando a memória das pessoas começar a fraquejar outra vez, com o regresso das arrogâncias e das semanas em Bruxelas, como se nada tivesse passado. E de facto, para essas bandas, não se passou nem vai passar nada. O mesmo já não se poderá dizer do madeirense comum, que vai ter de arcar com as responsabilidades de tudo o que foi feito - as obras úteis e as dispensáveis, todas pagas acima do custo. A assinatura de Jardim compromete todos os madeirenses a pagar os serviços de Saúde e uma sobretaxa descomunal sobre os combustíveis, para além daquela catrafilada de impostos sobre os rendimentos e sobre os bens que temos de consumir. Obriga-nos também a rendas sociais agravadas e a ter menos Acção Social nas escolas, onde o papel higiénico e o de fotocópias já são pagos pelos alunos. Tudo isto em troca de muitas obras e distribuição de recursos públicos sem rei nem roque. Curiosamente no mesmo dia negro, os madeirenses ficaram também a saber que perderam o direito a uma alternativa nas ligações marítimas da Madeira para o mundo, saindo prejudicados nas viagens e no transporte de mercadorias. Rapidamente, sem grandes hesitações, o governo que tem hesitado em tudo, decidiu 'escorraçar' a Naviera Armas sem mais aquela. Deve ter sido uma decisão bem ponderada, a pensar no consumidor madeirense. Foi este mesmo governo, comedido e prudente, que amontoou uma dívida de 6 mil milhões? Os próximos tempos vão deslindar mais uma estratégia brilhante. Até lá, obrigadinho, dr. Jardim! Vamos recordá-lo por muitos anos. Paulo Atouguia, Pres. Sociedades Desenvolvimento O seu discurso realista, adequado à conjuntura actual, ajuda-o nesta operação de 'baixar à terra'. Há que agir em função do interesse público José Belo, Presidente da AD Machico Deu um bom exemplo ao chamar a si a gestão de um complexo desportivo, assumindo riscos para colher outros benefícios para Machico Guedes da Silva, Ex-director nacional da PSP Passou pela Madeira, onde fez promessas que viria a reprovar, quando promovido em Lisboa. A sua demissão foi aplaudida por quase todos Conceição Estudante, Sec. Regional Transportes Está a repetir no sector dos transportes a inércia que lhe é reconhecida no Turismo. A sua (não) intervenção no caso Armas é elucidativa Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional Falhou todas as oportunidades para perpetuar-se na história da Madeira como herói. Cego pelo poder, já só sabe dar passos para trás...
Obrigadinho, dr. Jardim
Acordo com Lisboa e desacordo com o 'armas' têm a mesma assinatura. E as mesmas vítimas