No meu primeiro artigo deste ano, já era grande a expectativa do que adviria das conversações entre o Governo Regional e o Governo da República, conhecidos os muitos desmandos e o despesismo dos últimos anos, que arrastaram a Madeira para uma situação de maior dependência, fazendo perigar a autonomia da Região. E, não obstante o acordo assinado em Lisboa na última quarta-feira e as subsequentes declarações de Alberto João Jardim, na conferência de imprensa de sexta-feira, as dúvidas quanto ao futuro subsistem, podendo mesmo dizer-se, que a nossa capacidade autonómica está em perda. Apareceram já uns quantos que acenam com o pedido de antecipação de eleições regionais, o que não será mais do que um novo compasso de espera, depois de todas as voltas que a situação registou durante o passado verão, nomeadamente, pela falta de coragem de alguns mais poderosos que não deram ouvidos aos alertas para a conveniência de adiamento, então, por um ou dois meses, das eleições de Outubro, como também neste mesmo espaço defendi, em 26 de Agosto, num desafio à ponderação inter-partidária. Desenham-se assim novas perspectivas de impasse, conducentes a um ainda maior agravamento da situação. Ainda que indesejável, pode antecipar-se como inevitável, se bem se reflectir sobre o que afirmou Alberto João Jardim, durante a referida conferência de imprensa, que acompanhei, fora da Madeira, pela televisão, em directo. Quando questionado sobre a sua intenção de completar o mandato, Jardim respondeu que sim "…quanto mais não seja para chatear essa gente…". Ao destacar uma tal motivação que, aparentemente, menospreza o que deveria ser a defesa dos interesses da Região, abalados que estão pelos tais desmandos e o despesismo dos últimos anos da sua governação, fica a dúvida quanto à sua autêntica determinação em assegurar a exequibilidade do chamado "plano de resgate". Da ponderação sobre eventuais desvios de obrigações assumidas pelo Governo Regional, há pois que, confiando na monitorização pelo Governo de Passos Coelho, cujo rumo está bem definido, atento que estará o Presidente da República e, naturalmente, o Tribunal Constitucional, dessas mesmas instituições há que esperar soluções que à Madeira dizem respeito e interessam a todos Portugueses. Ultrapassados que sejam todos estes contratempos, com serenidade, harmonia e bom senso, será, como todos aspiramos, reencontrado o rumo para a autonomia, promovendo também o seu "resgate", a que acrescento, repetindo-me, pela Madeira, sempre…!
Francisco Leite Monteiro