Há tempos, Sua Excelência o Primeiro-Ministro (doravante SEPM, para manter o nível em poucas palavras) sugeriu aos professores desempregados que emigrassem, dando preferência aos restantes países de Língua Oficial Portuguesa. A tal reagiram inúmeros ilustres da nossa praça, alguns dos quais sugerindo a SEPM que tomasse ele o bilhete para o exterior, preferencialmente sem retorno. Portugal é, pelo menos há 500 anos, um país de emigrantes. A par dos colonos dos territórios ultramarinos portugueses (incluindo a Família Real), milhares de lusos partiram em busca de um cantinho ao sol noutras paragens. Logo, o dito de SEPM não é grande contributo para a história nacional (mais inédita seria a emigração do Governo). Contudo SEPM não viu, digamos, the big problem: os emigrantes de antes, não são os de agora. Outrora saía-se com saudades, tinha-se esperança de voltar e, por tal, mandava-se dinheiro, investia-se num futuro por cá. Enfim, ajudava-se a economia portuguesa. Ora, vai-se com raiva, não se fazem planos a longo prazo em Portugal e, se tudo corre bem, não se volta a por os pés aquém-fronteiras. Vá o leitor à internet e veja no portal Pordata, por exemplo, quanto gasta o Estado na Educação. Pode, assim, ponderar no disparate que é investir-se em recursos humanos para, mais tarde, os mandar para o estrangeiro. E, desta vez, sem qualquer retorno. A SEPM digo, nem a si mandava embora. Neste país até custa formar gente tonta.
Carlos Diogo Pereira, Colaborador da Associação Académica da UMa