C. Marques A semana passada fui buscar o meu sobrinho à escola primária de Machico antes do costume para ir a uma consulta. Tinha acabado de virar costas à porta da sala e oiço uma voz entusiasmada: "O professor xxx é um pan...!" Continuei para a porta da saída, passei o meu sobrinho para o outro lado e apressei o passo. Pensei que fosse alguma mãe mal educada a brigar. O palavreado era grosseiro mas o meu espanto foi maior quando vi quem o dizia. Era uma professora daquela própria escola de pasta na mão a falar para uma senhora (mãe ou professora, não sei) e para umas funcionárias de bata azul. Também já andei na escola e sei que os pequenos dizem palavrões, o que nunca pensei é que são os próprios professores que ensinam. Isto é normal? Que professora é esta? O que pode ela ensinar aos alunos? O mais inconsequente é que já sei que o professor que ela falou é professor daquela escola, trabalha ali. Havia de ser no meu trabalho! Também sou funcionária pública e tenho a certeza que se tratasse uma colega no meu trabalho assim, publicamente, não ficaria sem nada. Será que estava bêbada? É mal encarada, só o cabelo cor de carvão… É normal os professores se tratarem assim à beira dos alunos? Que tristeza. Onde estamos a pôr as crianças… Tinha acabado de entrar no carro e pôr o meu sobrinho na cadeirinha e pergunta ele assim: "tia o qué pan...?" Fiquei sem fôlego… Afinal nem só eu ouvi. Não foi um sonho triste. Pela minha cunhada consegui saber o nome desta professora, professora Fátima (qualquer coisa) se é que uma pessoa assim pode ser chamada de professora. Uns dias depois tava no café e essa "professora" passa para as compras. Lembrei-me daquele episódio triste e apontei às duas colegas que estavam comigo. Uma delas cospe um suspiro, revira os olhos e diz-me: Aquele bicho retornado já eu conheço. Foi a professora do meu filho. Graças a Deus que ele já saiu daquela escola. O pequeno no segundo ano começou-me a chorar que não queria ir para a escola. Quando vim a saber pela mãe de uma miudinha da turma dele que ela chamava ele de burro, tonto e sei lá mais o quê. E vinha falar comigo como se fosse uma professora melhor que tudo. Ainda me vinha dar lições de moral. Não bate bem do juízo! Devia era ir para o calhau. Eu fiquei congelada... Mas então não fizeste nada? Para quê? Para ela massacrá-lo ainda mais e perder o ano. Uma vizinha dela do sítio da Graça diz que até os pais trata abaixo de cão. Meu irmão pediu-me várias vezes para não escrever isto, mas acho isto de mais. Não me identificarei de todo para os meus sobrinhos não sofrerem retaliações. Passamos da paulada à agressão verbal e psicológica bruta. Agora compreendo porque é que o governo tanto tem andado a cortar em cima dos professores, esta devia ter um corte por inteiro. Não tenho filhos mas quando se os tiver não os quero nas mãos de pessoas assim. Deixo uma pergunta ao conselho diretivo desta escola: quando este professor ouvir os alunos chamarem-no de pan... a quem vai ser feita a participação? Aos alunos? Ou à professora que os ensinou? São os pais das crianças que vão ser chamados à escola?