Depois de um mês de Dezembro cheio de animação, um 'réveillon' com quase mais opções de entretenimento por habitante do que qualquer outra cidade na Europa, as coisas voltaram ao normal, as luzes desligaram-se, as pessoas foram embora, as festas fizeram uma pausa. Janeiro sempre foi, à semelhança do mês de Outubro, a altura ideal para fazer o balanço, delinear estratégias tendo em conta o futuro, contudo, o futuro por estas bandas é muito incerto. O que outrora foi considerada a Ibiza portuguesa, está deambulando, sobrevivendo, e todos nós estamos a fazer os possíveis para que as pessoas mantenham o interesse naquilo que na minha opinião é o mais importante, a música. Mas sem negócio não há música, e sem música os DJs não existem, por isso continua a ser importante manter a viabilidade dos negócios. Alguns "empresários" julgam que para ganhar dinheiro à noite basta só decorar um espaço com alguns artefactos de qualidade duvidosa, um sistema de som o mais barato possível, uma cabine com o material mínimo, um DJ que passe o dia a tocar as músicas das 'playlists', e esperar ter grande sucesso, as opções mais fáceis nem sempre são as melhores a longo termo, e acho que isto é um pouco o que passa na noite em Portugal, os empresários só olham para o negócio da noite para ganhar o máximo de dinheiro, no mínimo de tempo possível, retirando cada cêntimo da carteira dos seus clientes, sem uma perspectiva, sem uma visão de negócio, sem um investimento que se traduza em fidelizar uma clientela, retornando o investimento com bons eventos, artistas de qualidade, e acima de tudo boa música. Dou-vos o exemplo perfeito, o Lux em Lisboa, sim, eu sei, Lisboa é uma capital com cerca dois milhões de habitantes, mas quantos clubes já abriram e fecharam em Lisboa? Muitos, e só o Lux continua inovando, nos artistas, na música, nos DJs e em tudo o resto, e não pensem que é um caso isolado, porque não é, todos os grandes clubes são assim. Mas a questão continua sendo a mesma: a Madeira é uma realidade aparte, atravessa sérias dificuldades financeiras, mas mesmo assim continuam a existir casas e pessoas que continuam a olhar para a noite não como um negócio do tudo ou nada, mas com paixão e dedicação apresentando boas ideias e excelentes artistas, tendo em conta a conjuntura económica. Temos é que fazer o mais difícil agora, temos que resistir a esta crise.

Michael C, DJ