O senhor Silva, que não tem dinheiro para as despesas, não fossem as poupanças de uma vida para sobreviver na reforma, passou agora a amigo da Madeira.
Cavaco Silva, que foi infeliz nas últimas declarações que foi obrigado a explicar, esteve bem a apaziguar os ânimos e a mandar sentar à mesa Jardim e Passos. O Presidente da República é isso mesmo, uma espécie de velha professora primária, que está lá para manter a ordem na sala de aulas.
E Passos e Jardim andavam a portar-se mal e a deixar as birras do recreio interferirem com um trabalho de grupo, de cuja nota dependem muitos outros alunos, os madeirenses.
Então o senhor Silva, perdão o Aníbal, que entre amigos não há estes formalismos, veio a terreiro, de forma discreta, como só os Presidentes sabem. O pobre Aníbal, que sabe bem o que são dificuldades, veio intecerder pelo gastador Jardim, porque a bem dizer os madeirenses não têm culpa nenhuma. E Passos lá terá esbracejado que têm o que merecem, pois eles é que escolheram o birrento e malcriado Jardim. O Aníbal não se ficou e lá terá ripostado que também os portugueses o escolheram a ele e que também não mereciam o castigo daí decorrente.
Alguns amuos depois, lá concordaram e sentaram-se. Jardim sabia que era o elo mais fraco e mendigou o que conseguiu. Passos cedeu o que entendeu. E diz que a isto se chama sentido de Estado.
E é bonito e pomposo esta coisa de sobrepor o interesse público às animosidades pessoais. Pena que na política a memória seja muita curta. E que os Silvas passem a Aníbais, ao sabor do momento. Pena que o professor Cavaco Silva e outros tantos que o sucederam não se tenham lembrado disto, do sentido de Estado, na altura de impedir o descalabro. Tudo para não interferir com a autonomia, que agora é deitada na lama, com desdém.
Sentido de Estado era intervir, era não voltar a cara e não fugir às bocas. Era impedir o despesismo catastrófico, era controlar e obrigar a cumprir regras, era evitar o regabofe.
Hoje, Jardim assina o ‘mea culpa’. Hoje responsabiliza-se pelas dificuldades que vai causar (ainda mais) na vida dos madeirenses. Mas é certo que não devia assinar sozinho. É de agradecer a quem nos estende a mão, mas não há gratidão que pague aos que nos impediram de ficar no buraco.