A minha geração é uma geração que aprendeu a sentir tudo ao som de uma música de discoteca. A minha geração é adolescente e usa a tecnologia com a adolescência que lhe assiste. A minha geração não suporta injustiças mas sente que não tem o poder de mudar nada. A minha geração tem a maturidade que conseguiu ter. A minha geração é nervosa, faz malabarismo entre ideias vanguardistas e a ideia de uma casa, um carro e um emprego durante 55 anos. A minha geração sai à noite, bebe o mais que pode e convence-se que vive a vida ao máximo, na minha geração mal podemos esperar que chegue a sexta feira, e todos os fins de semana são iguais. A minha geração sente-se vazia e está cansada. A minha geração não sabe o que é realidade, porque nunca aconteceu nada à minha geração. A minha geração decorou formulas de vida. A minha geração já se sente à vontade para criticar as gerações mais novas. A minha geração pensa que não vale nada e foi treinada para sentir medo e mostrar que está bem. A minha geração fala das coisas antigas que sempre odiou com uma falsa nostalgia. A minha geração não tem crenças mas também não tem motivação. A minha geração não gosta de política. Contudo a minha geração ainda não desistiu totalmente, ainda tenta lutar contra a decepção, ainda tem uma réstia de não-conformismo, ainda conserva uma visão de si mesma de que é uma parte de um todo. A minha geração ainda ri. A minha geração não vai gostar nada do que aqui foi escrito.
António Ferraz, Colaborador da Associação Académica da Universidade da Madeira