Porto Santo produto turístico. O que é? Do que estamos a falar? Há muitas discussões em torno desta matéria, quase todas centradas em encontrar um posicionamento distinto do "Sol e Praia" pelo facto da ilha não ter sol garantido. Uns defendem que se deverá posicionar como um destino de repouso e sossego (conceito que, por si só, me parece invendável); outros, que se trata de um destino de saúde; outros dirão que é um destino de golfe….As ideias não faltam, não serão todas descabidas, mas não têm a consistência objectiva geradora de atractividade de fluxos turísticos. Por muitas voltas que queiramos dar para contornar a nossa insegurança e, eventual complexo, com o sol incerto da ilha, o facto é que o Porto Santo é um destino "Sol e Praia". É isso mesmo que é! Um bom (embora não excelente) "Sol e Praia"! E é por isso que tem uma sazonalidade muito acentuada. Os turistas madeirenses (mercado estratégico), nacionais e estrangeiros, vão ao Porto Santo na expectativa do Sol e Praia. Sem a praia maravilhosa que tem, o que seria da Ilha como destino turístico? É um "Sol e Praia" que tem como factores competitivos as excelências ímpares da praia e do mar, o sossego, o descanso, o exotismo, o ambiente intimista, a micro escala e a segurança, vantagens que compensarão - para certos públicos alvo - a falta de garantia de sol." São estas características que o diferenciam de outros destinos de "Sol e Praia" e determinam os potenciais segmentos de clientes. A sua super micro dimensão e o sol incerto - felizmente - nos impedem de concorrer com outros destinos no "Sol e Praia" massificado. Nesse campeonato não temos argumentos! E, é esta particularidade, do clima da ilha, que torna o esbater da sazonalidade extremamente difícil. O objectivo simpático e populistamente acolhedor de promover investimentos que gerem mais fluxos turísticos no inverno só gera dispersão de recursos e desatenção para com o essencial. O caminho correcto nunca deverá passar por uma preocupação com a má performance do inverno, mas sim, apostar com cada vez mais convicção no verão (mais qualidade de serviço e mais valor acrescentado de oferta), ganhando paulatinamente mais AMPLITUDE da época alta e consequentemente excessos turísticos que se venham a derramar de forma cada vez mais expressiva nos meses mais próximos de inverno. Dirão, e o impacto no inverno do campo de golfe. O golfe poderá contar, na melhor das hipóteses, com 150 jogadores dia - perspectiva optimista - o que representa 5% de taxa de ocupação hoteleira para uma oferta de 3.000 camas e 1.9% para a nova visão da oferta que por aí se catequiza e se pretende materializar em Planos "putativos" de desenvolvimento - sem sentido - de 8.000 camas. É de facto uma infra-estrutura de qualidade, que valoriza a imagem da ilha (investimento assente numa racionalidade idealista, destituído de legitimidade económica e financeira), mas não resolve de todo a sazonalidade! E a saúde? É um nicho de grande interesse e complementaridade, tal como o golfe, a caça, os desportos náuticos, entre outros. Mas simplesmente isso, complementaridades ao produto central "Sol e Praia". O importante é não inventar, não trabalhar em cima de ilusões para que o posicionamento do produto e orientação promocional sejam coerentes e consistentes. Em suma, é o que é! A aposta é no óbvio! KISS - keep it simple and stupid.
João Welsh - Delegado da APAVT