Se é possível perceber, porque as estratégias do presidente do Governo Regional já entram no domínio do insondável, o objectivo deste atraso na assinatura da ajuda financeira, deixando entre a espada e a parede 260 mil madeirenses, fica a dever-se a uma eventual chantagem com Lisboa. Uma jogada que passa por envergonhar (?) o País com... a falência da Madeira.

Uma estratégia interessante, não fossem dois pequenos pormenores: quem é que se envergonharia com a falência de Madeira e o que é que isso implicaria, ao nível internacional? Correndo o risco de receber um atestado de total ignorância nas elevadas artes da política, o que até é verdade, arrisco uma resposta: ninguém. A Madeira vale o peso dos seus 260 mil habitantes, não os decibéis dos gritos dos seus políticos, nem o grau dos insultos e ameaças que proferem.

Independentemente do resultado da táctica de negociação, parece certo que, mesmo depois desta tragédia em que estamos metidos, os governantes madeirenses e o partido que os suporta, não vão aprender nada. Vão continuar com a mesma postura arrogante, a despachar as culpas para os outros, a inventar inimigos e a cometer as mesmas ‘argoladas’ que nos conduziram a esta situação. Só não vão ter dinheiro para distribuir.

O presidente, do Governo e do PSD, continua a dizer que faria tudo da mesma maneira, que tudo foi bem feito e que não se arrepende de nada. Seria uma anedota, não fosse o momento dramático em que esta terra se encontra.

P.S: Alberto João Jardim insurgiu-se, e bem, contra quem chamou 'chulos' aos jogadores de equipas madeirenses. Um momento trsite que compreendo, porque até tinha amigos entre os visados. Infelizmente, ao longo de décadas, os insultos foram no sentido Funchal-Lisboa, contra os 'cubanos', 'atrasados' e sem o 'desenvolvimento' que a Madeira transbordava. No caso dos açorianos, um deputado do PSD até disse que lavavam a roupa nas ribeiras porque não tinham máquinas... Assim, é difícil clamar justiça.