Antes do 25 de Abril de 1974, o povo esperava horas e horas por uma consulta de borla de uns médicos amigos e de uns medicamentos de amostra. Os partos eram feitos em casa por « parteiras» curiosas. As injeções , dadas por enfermeiras que acumulavam o trabalho da escola ou da fazenda, por amor ao próximo. Dava-se a massagem ao «bucho» e umas « ventosas» nas costas. Bebiam-se uns xaropes e umas drogas caseiras Com o 25 de Abril, a Constituição (CDS votou contra) nascia o Serviço Nacional de Saúde, que garantia um Serviço Universal e Gratuito aos cidadãos. Nos últimos anos esse serviço foi-se degradando: apareceram as Clínicas e os Hospitais Privados. A saúde passou a ser um negócio. O Governo- PSD/CDS, Portas e Coelho, aplica taxas moderadoras na saúde, porque os negócios têm de dar lucro aos patrões. Sendo a Troika o patrão dos portugueses, tem que se «esmifrar » o povo, mesmo que este morra por falta de cuidados de saúde. Poupa-se também nas reformas por cada um que morre antes do tempo ! O GR encerra Urgências nos Centros de Saúde. Congela os investimentos nos equipamentos de saúde e faz acordos com as Misericórdias. Aplicará taxas de racionalização nos Centros de Saúde: 5 euros por consulta, 4 de enfermagem, e aumentará nos Hospitais: uma urgência polivalente de 20 euros, com os exames poderá chegar aos 50 O Cidadão, para ficar livre de taxas, apresenta o seu IRS de miséria, nos transportes, saúde, habitação… sofre a humilhação. Estende a mão. Vai á sopa do Cardoso, recebe umas roupinhas de uma Associação de Caridade. Chora e resigna-se com esta situação. As palavras contenção, austeridade, confisco, pobreza , caridade , que todos os dias ouvimos, lembra-nos Salazar… É preciso resistir e unir o Povo, transformar os Pobres em Cidadãos Livres , com trabalho e salários justos. É preciso devolver o cartão de pelintra!
Dírio Ramos - Vereador do PCP na CMF