O campeonato português de futebol deu nos últimos anos um salto qualitativo enorme. Melhor organização e marketing; diminuição do número de equipas para dezasseis; calendário mais consonante com as ligas europeias; aumento do número de espectadores, (apesar dos estádios sempre vazios da U. Leiria e do Beira Mar, por exemplo); um grande incremento das transmissões televisivas, etc, etc. A competitividade das nossas equipas nas competições europeias é evidente e a IFFHS - Federação Internacional de História e Estatística do Futebol classificou-nos como a quarta melhor liga do mundo. No ranking de clubes da UEFA estamos em sexto lugar e em sétimo no ranking de selecções da FIFA. Em que outra actividade o Pais está melhor cotado? Nas recentes eleições para a liga de clubes ganhou o candidato dos clubes pequenos. Com as promessas de mais dinheiro e de alargar já o próximo campeonato para 18 clubes, o que significa que ninguém desceria de divisão. Ora então, quem não votaria em tão benevolentes propostas? Os problemas do futebol português não se resolvem com o alargamento da primeira liga. E muito menos se o regulamento é alterado no decurso da competição. Isto é: no intervalo do jogo mudam-se as regras. Será que isto é para levar a sério? Santos, Cidade do sul do Brasil, geminada com o Funchal, tem um dos grandes clubes brasileiros, o Santos Futebol Clube. Mas tem também um grande presidente no seu clube, um exímio negociador. Sabem porquê? Porque vendeu, em Agosto de 2011, um defesa direito ao Porto, por treze milhões de euros, que as comissões fizeram chegar aos dezoito milhões. O jogador, comprado no Verão passado, só veio para o Porto em Janeiro, conforme acordado. Agora, para emitir o certificado internacional, que permita a sua inscrição, o Santos exigiu aos dragões o empréstimo, sem custos, do seu defesa direito Fucile, internacional do Uruguai. Ou é de facto um grande negociador ou a história está mal contada.
Rui Abreu, Chefe de Gabinete da CMF